Violência

Ex-presidente Correa é hostilizado ao fazer campanha pelo não em referendo no Equador

Político equatoriano ficou horas preso na rádio onde concedia entrevista até os agressores serem dispersados

Venezuela

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Carro de Rafael Correa foi atacado na tarde dessa quarta-feira, em frente a uma rádio, no norte do país / Foto: Telesur

O ex-presidente do Equador Rafael Correa teve seu carro atacado e ficou temporariamente detido dentro da Rádio Magia, onde concedia uma entrevista na manhã desta quarta-feira (31).

O incidente ocorreu na cidade de Qunindé, estado de Esmeralda, no norte do Equador. O carro de Correa foi pintado, coberto de lixo e a rádio teve janelas pichadas. A caravana do ex-mandatário foi liberada horas depois.

Em suas redes sociais, Correa acusou as autoridades estaduais pela agressão: "Os cabeças estão claramente identificados, são funcionários departamentais do município de Quinindé. Seus guarda-costas estão armados", escreveu em sua conta no Twitter.

Em uma entrevista ao canal multiestatal TeleSUR, Correa falou sobre os ataques. "Eram entre 30 e 40 pessoas muito violentas que nos atacaram com paus, ovos, tomates e bombas de gás lacrimogênio", relatou.

"O governo [do presidente] Lenín Moreno é igualmente responsável, já que empreendeu contra mim uma campanha de difamação e calúnia, em cumplicidade com os meios de comunicação", disse ainda o ex-presidente equatoriano.

Depois que conseguiu sair da rádio, por volta das 16h10 (hora de Brasília), ele e sua equipe comemoraram: "Já saímos da rádio. Graças a Deus, tudo bem. Apesar de que esses bandidos, escondidos entre as pessoas, mas que já foram identificados, puderam fazer muitos danos", escreveu no Twitter.

Após o ocorrido, a vice-presidenta do país, María Alejandra Vicuña, comentou a ação: “rechaçamos toda forma de violência, venha de onde venha. Mas ainda se se pretende manchar um processo democrático como é a consulta popular. Assim não construímos cidadania”.

Consulta Popular

Rafael Correa estava em Qunindé em meio a uma campanha em razão da consulta popular, que será realizada dia 4 de fevereiro, no Equador, para saber se a população aceita ou não mudar alguns artigos da Constituição. 

O ex-presidente é contra as mudanças e pede para as pessoas votarem "Não". Já o governo de Lenín Moreno, faz campanha para o "Sim".

Moreno chegou à presidência apoiado por Correa e pelo partido Aliança País (AP). Após desacordos na condução política do Equador, Correa anunciou sua desfiliação do AP e, em breve, deverá anunciar a formação da nova sigla partidária movimento Revolução Cidadã. 

O referendo deste sábado (4) contém sete perguntas sobre temas como: corrupção; proibição da reeleição; reestruturação do Conselho de Participação Cidadã e Controle Social; proteção de crianças e adolescentes para não haver prescrição dos crimes contra eles e a proibição da mineração de metais pesados e restrição das áreas de exploração petroleira.

Edição: Vanessa Martina Silva