Queda de braço

Reforma da Previdência perde força no Congresso, segundo opositores

Governo pretende colocar texto em votação dia 19 de fevereiro, mas ainda lida com insegurança no placar

Brasil de Fato | Brasília-DF

,

Ouça a matéria:

Diante dos holofotes, Temer (MDB) sustenta que o número de votos a favor da reforma estaria crescendo, mas oposição questiona a afirmativa / Agência Brasil

Nas vésperas do início do ano parlamentar, que terá a primeira sessão na próxima segunda-feira (5), a reforma da Previdência continua sendo o principal motor da queda de braço entre governo e oposição.

Diante da dificuldade do governo golpista de Michel Temer (MDB) de conquistar novos apoios à medida na Câmara dos Deputados, partidos de oposição apostam na possibilidade de ampliar a interlocução com parlamentares da base aliada que se opõem à reforma. A líder da bancada do PCdoB na Casa, Alice Portugal (BA), destaca que o período de recesso estaria contribuindo para o movimento de oposição por conta do contato dos deputados com as bases populares nos estados.

"Com certeza, [eles] beberam na fonte da rejeição à reforma, então, o nosso espectro de apoio [à oposição] aumenta", afirma.

Matemática

Para aprovar a medida, são necessários 308 votos no plenário. A contagem do governo inclui 270 deputados que teriam dado como certo o voto favorável à reforma. Com a intenção do Planalto de colocar o texto em votação no próximo dia 19, mas sem garantias em relação ao placar, o governo oscila entre o discurso de que haveria um forte apoio à reforma e a realidade dos números.

Segundo informações de bastidores, alguns parlamentares da tropa do choque de Temer estariam defendendo o adiamento para novembro, quando não haverá mais uma preocupação com as urnas.

Para tentar, mais uma vez, evitar o fracasso do movimento pró-reforma, o Planalto investe numa ginástica que chegou a um novo patamar nos últimos dias. No domingo (28), Temer fez uma participação no programa do apresentador Silvio Santos e, na segunda-feira (29) à noite, concedeu uma entrevista ao Ratinho, ambos no canal do SBT, para discursar em favor da medida. 

A estratégia seria lutar contra a ampla rejeição popular para que isso impactasse o posicionamento dos parlamentares indecisos.

Diante dos holofotes, o governo sustenta que o número de votos estaria crescendo, mas a oposição questiona a afirmativa. O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), aponta que o jogo estaria caminhando exatamente no sentido inverso, com redução dos votos da base.

"Não tem dinheiro, não tem cargo que seja suficiente para que um parlamentar torne irreversível o rompimento com a sua base social", acredita o petista.

Mobilizações

Após uma reunião realizada nesta terça-feira (30) pela manhã, membros da oposição e de movimentos sociais anunciaram que irão intensificar a campanha contra a reforma. Segundo a militante Ana Moraes, do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), está sendo montado um calendário de atividades que terá início no próximo dia 6.

"Eles não terão o descanso dos movimentos porque a nossa pauta exclusiva pra este mês de fevereiro será contra a reforma da Previdência. E, no mês de março, as mulheres tomarão as ruas também contra a reforma e todos os retrocessos", antecipa.

Os detalhes da programação de luta serão divulgados na próxima semana.

Edição: Nina Fideles