Árbitro de video

PAPO ESPORTIVO | Sobre o veto ao árbitro de vídeo no Brasileirão 2018

Como é que você simplesmente repassa o custo aos clubes de uma inovação que será benéfica para todos?

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Reunião de conselho técnico da Série A na CBF / Lucas Figueiredo / CBF

A CBF realizou nesta semana o Congresso Técnico com os representantes dos vinte clubes do Brasileirão Série A para definir as regras da competição de 2018. Dentre as principais mudanças temos a liberação de jogos em grama sintética e de venda de mandos de campo (limitadas a cinco partidas que não sejam das cinco últimas rodadas), além de uma maior flexibilidade na inscrição de jogadores. Mas o ponto mais polêmico foi, sem dúvida, o veto ao uso do árbitro de vídeo no Brasileirão 2018.

A coisa já começa errada quando a CBF declara que tem um prejuízo de vinte milhões por ano com o campeonato nacional e repassa o custo do VAR (sigla em inglês para Video Assistant Refree) para os clubes. Algo em torno de R$ 1 milhão para cada um dos vinte participantes do Brasileirão. Para efeito de comparação, o árbitro de vídeo custa aproximadamente quatro milhões de reais em Portugal para toda a competição. E a quantia é paga pela Federação Portuguesa de Futebol. Detalhe: os últimos balanços da entidade mostraram que a CBF fechou o ano passado com R$ 260 milhões em caixa. Bom, sete clubes votaram a favor e doze foram contra. Apenas o São Paulo não votou porque seu presidente já tinha saído da reunião no momento da votação.

Compreender a postura da CBF é algo que eu e muita gente já desistiu de fazer há muito tempo. Como é que você resolve não investir no seu principal produto? Como é que você simplesmente repassa o custo aos clubes de uma inovação que ser a benéfica para todos? Algo que é da responsabilidade da CBF? Seguiremos vendo nossos clubes sendo prejudicados por erros da arbitragem sem que nada para melhorar esse panorama seja feito.

Ao mesmo tempo, também não há como se fechar os olhos para a postura dos clubes. Concordo plenamente que um milhão de reais pesa muito mais no bolso de um América-MG ou de um Paraná Clube do que de um Palmeiras ou de um Flamengo. Mas será que não é melhor investir agora para se deixar o futebol mais justo do que perder um título ou ser rebaixado por causa de um erro de arbitragem? Qual é o melhor custo-benefício? Investir agora e trabalhar ou jogar a poeira pra debaixo do tapete e usar as lambanças dos homens do apito como desculpa para um planejamento ruim no final do ano?

Nosso futebol segue com a mania de fazer bobagens e depois colocar a culpa numa suposta perseguição de A ou B para justificar os fracassos. É por essas e outras que todo dia é um 7 a 1 diferente por essas bandas…

E O BOTAFOGO HEIN?

Os comandados de Felipe Conceição conseguiram ser eliminados da Copa do Brasil pela APARECIDENSE de Goiás. Os próximos dias em General Severiano prometem ser tão quentes quanto a cabeça dos torcedores alvinegros…

Grande abraço e até a próxima!

Edição: Mariana Pitasse