CARNAVAL

Em Pernambuco, até casamento vira folia

Pernambucana casa com brasiliense em pleno carnaval

Brasil de Fato | Recife (PE)

,
No lugar da marcha nupcial os batuques do maracatu / Rani de Mendonça

Ao invés de igreja ou casa de recepções, uma sementeira em Candeias, na Região Metropolitana do Recife. No lugar de roupas de gala, saltos e penteados, fantasias. Ao invés de um prato para o jantar, arrumadinho de charque no almoço. A mesa dos doces estava repleta de doces de compotas nos sabores jaca, banana, goiaba e caju. No lugar dos refrigerantes, muita água de coco. E pra terminar de refrescar, intermináveis sabores de raspa-raspa. Foi assim a festa de casamento da pernambucana e advogada, Meg Mendonça, com o servidor público e brasiliense Léo Tribst.

 Os dois moram em Brasília (DF) e resolveram comemorar o matrimônio em Pernambuco, em uma terça-feira de carnaval. A ideia inicialmente, na verdade, era ter tido toda a cerimônia do casamento e as assinaturas dos papéis, mas essa parte teve que acontecer em Brasília por falta de um juiz ou juíza que topasse esse feito em pleno carnaval. Então,  virou só festa. Eles trouxeram na mala muitos motivos para comemorar.

O dia começou chuvoso, mas os foliões e familiares dos noivos conseguiram aproveitar exatamente como os pernambucanos aproveitam os blocos e as agremiações: debaixo de sol e de chuva, com muita alegria e frevo no pé. A hora mais esperada do casamento é sempre a entrada da noiva, muito pelo suspense do vestido. Ontem, o véu e grinalda deram lugar a um vestido com muita transparência e flor, combinando com o espaço. A noiva veio acompanhada de um maracatu pra animar ainda mais o que já estava cheio de animação.  

Entre os convidados, as duas famílias se misturaram em fantasias irreverentes como Jack Sparrow, egípcias, palhaços, gatinhas e… Um jogo de dominó. Uma parte da família da noiva, todos e todas foliões natos,  que têm um bloco que comemora o aniversário de um deles, chamado “Caio na folia”, fizeram uma homenagem a avó de Meg, conhecida como “Liu”, que em vida adorava passar as tardes jogando dominó com todos os familiares. Entraram na festa com estandartes e faixas que saudavam os noivos e a memória de “Liu”. Foi um momento de muita emoção e amor, onde muitos choravam e lembram com muita saudade de coisas que viveram juntos.

A história do casal tem muito a ver com a festa de momo. Tudo começou na prévia de carnaval Suvaco da Asa, em Brasília. “Já tínhamos amigos em comum e frequentávamos alguns lugares em comum, mas nunca teve nada. Nessa prévia que tem todo o espírito pernambucano, nos reencontramos e à noite fomos ao show da Banda Eddie. Ele conheceu o som deles,e achou massa. Então a gente ficou e nunca mais se desgrudou”, conta a noiva.

Pernambucana e amante de tudo que é de Pernambuco, a escolha pelo dia e pelo lugar veio de Meg. Segundo ela, não teria sentido se não fosse assim. “É um momento muito feliz na minha vida e eu queria fazer essa comemoração dentro daquilo com tudo que me representa. Ou seja, tinha que ter minha cultura e minha família. Meu marido topou, a família dele topou… só faz sentido pra mim se tiver todas essas coisas quem me representam.”, diz.  Para o noivo, a escolha daqui também foi maravilhosa, mesmo gostando mais do período pré carnavalesco. “Eu gosto muito do frevo e acho maravilhoso, adoro o maracatu também. Como a maioria da família da Meg mora aqui, escolhemos aqui e estamos muito felizes”, ressalta Léo. 

De Brasília, vieram os pais do noivo e um casal de amigos que são também os padrinhos de casamento. Para Tiago Lara, que foi testemunha do casório lá em Brasília, estar em Recife é uma experiência maravilhosa. “Eu gosto de ir para os lugares que a gente não sabe bem o que vai acontecer e que a gente é sempre surpreendido, porque criou pouca expectativa.  Me diverti muito, está tudo a cara de Meg. E eu estou  muito alegre de estar aqui.”, conta o arquiteto brasiliense.

Durante toda a festa esteve estampado nos rostos os desejos de felicidade em ritmo de frevo aos noivos. Além do clima amoroso e de muita prosperidade e vida,  todos que participaram desta tarde constataram logo na placa de entrada o que aquele dia representava: "o pra sempre começa hoje". E o pra sempre de Meg e Léo começou em uma terça-feira de carnaval.

 

Edição: Monyse Ravenna