Eleições 2018

Partidos da oposição lançam manifesto pela reconstrução do país

Plataforma, construída coletivamente, traz diretrizes a serem adotadas para superar os retrocessos trazidos pelo golpe

Brasil de Fato | Brasília (DF)

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Manifesto foi lançado por representantes dos cinco partidos na tarde desta terça (20), na Câmara Federal, em Brasília / Gustavo Bezerra/PT na Câmara

As fundações Perseu Abramo, Lauro Campos, Leonel Brizola-Alberto Pasqualini, João Mangabeira e Maurício Grabois, todas fundadas por partidos políticos da oposição, lançaram, na Câmara Federal, um manifesto pela reconstrução do Brasil na tarde desta terça-feira (20).

A iniciativa trata de uma plataforma conjunta articulada pelas legendas PT, PCdoB, Psol, PDT e PSB. A ideia é que as siglas assumam compromissos comuns relacionados ao futuro do país, independentemente de quem sair vitorioso na eleição de 2018, como apontou a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann.

"É uma proposta programática pro Brasil, um grande esforço, uma obra coletiva que é um ponto de partida, não de chegada, mostrando a maturidade a que nós chegamos neste momento", afirmou. 

Entre os pontos trazidos no manifesto, os partidos destacam, além da restauração da democracia: a redução das desigualdades sociais, a proteção do meio ambiente, e o fortalecimento da educação e das políticas públicas de caráter social.

O presidente nacional do Psol, Juliano Medeiros, ressaltou que as cinco legendas mantêm divergências entre si, em especial no que se refere à pauta econômica, mas consideram que a reconstrução do país é uma bandeira soberana diante das diferenças partidárias.

"Nós estamos vivendo o final de um ciclo e o início de um novo ciclo. A presença de uma esquerda forte, com nível razoável de unidade política em torno da defesa dos direitos é fundamental", defendeu. 

A luta pela igualdade de gênero também é um dos pontos do documento. A presidenta nacional do PCdoB, Luciana Santos, destacou a importância do combate ao machismo por meio de ações estatais mais efetivas.

"Nós precisamos garantir políticas públicas que emancipem as mulheres e coloquem elas num patamar de maior resistência, de autonomia financeira, de afirmação do seu próprio caminho, do seu espaço público, e isso só se dá quando se tem uma agenda política voltada pra isso", reforçou. 

Para a cartilha econômica, o manifesto traz, por exemplo, medidas como a retomada do crescimento e a defesa da soberania nacional e do patrimônio público. Nessa última pauta, o documento enfatiza a importância do combate às privatizações, com destaque para a defesa da Petrobras e da Eletrobras.

O economista Márcio Pochmann, da Fundação Perseu Abramo, salienta que a iniciativa de produzir um manifesto conjunto é inédita entre as fundações desde a ditadura militar. Ele acrescenta que, apesar de os partidos terem plena autonomia, a ideia é que eles deem sequência às propostas.

"É um trabalho que não se limita às eleições de 2018 porque visa justamente oferecer uma visão estratégica do Brasil no médio e longo prazos", completou. 

A agenda trazida pelo manifesto foi debatida entre as diferentes organizações durante seis meses.

Edição: Mauro Ramos