SOBERANIA

Venezuela lança moeda virtual com tecnologia russa

Petro, como é chamado o novo sistema monetário, tem como garantia as reservas de petróleo da Venezuela

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)

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Segundo o presidente Nicolás Maduro já foram comercializados cerca de US$ 735 milhões em moeda virtual / Imprensa Presidencial Venezuela

O presidente Nicolás Maduro, em coletiva na noite desta terça-feira (20), anunciou o lançamento da Petro, a criptomoeda ou moeda virtual, que faz com que a Venezuela entre neste mercado. No evento estavam presentes políticos e investidores estrangeiros. 

Cada Petro custará cerca de US$ 60, tendo como referência o valor do barril de petróleo. Isso porque terá como garantia as reservas de petróleo venezuelanas, que está entre as maiores do mundo.  Além disso, o governo venezuelano registrou cerca de 5 bilhões de barris de petróleo - do bloco Yacucho, localizado na Faixa Petrolífera do Orinoco, na região norte da Venezuela - junto a certificadoras internacionais de moeda estrangeira. 

Um primeiro lote da moeda, 38,4 milhões de petros, já está disponível para pré-venda site oficial do Petro. Segundo o presidente Maduro, já foram comercializados cerca de US$ 735 milhões em apenas 24 horas. Entre os principais compradores estão investidores internacionais. Uma das empresas que já tem licença para comercializar a nova moeda é a Euro Exchange.

Maduro também autorizou a venda da nova moeda para “milhares de casas de câmbio ao redor do mundo”. Essa comercialização será realizada por uma empresa nacional, a IUS Social, dirigida por jovens talentos venezuelanos, criada especificamente para isso.

A moeda também já passou a ser utilizada na Venezuela a partir dessa quarta-feira (21). Maduro determinou que todos os postos de combustíveis próximos à fronteira com a Colômbia operem com o Petro, bem como os pagamentos do Estado venezuelano para embaixadas e consulados ao redor do mundo. Os serviços turísticos na Venezuela poderão ser pagos com qualquer moeda virtual. Os cidadãos venezuelanos poderão comprar o Petro a uma taxa fixa em casas de câmbio de livre acesso.

A criação dessa moeda virtual tem como principal objetivo furar o cerco internacional financeiro imposto pelos Estados Unidos desde agosto de 2017. Segundo o presidente venezuelano, "uma moeda que tem como missão reforçar nossas políticas sociais e representa nossa independência”.

O lançamento do Petro provocou reações nos Estados Unidos. Os senadores Marco Rubio, do Partido Republicano, e Robert Menendez, do Democratas, pediram ao departamento do Tesouro estadunidense para monitorar e restringir a comercialização da moeda virtual venezuelana.

Na Venezuela, o dólar paralelo controlado pelo site Dólar Today, administrada desde os EUA, teve um queda de 5% nessa quarta-feira (21).

Tecnologia

A tecnologia utilizada no sistema monetário digital foi desenvolvida pela empresa russa Zeus. “Estamos utilizando a plataforma mais avançada do mundo”, afirmou o presidente Nicolás Maduro, durante o lançamento.

Nos sites especializados em criptomoeda, os russos são conhecidos por oferecer uma “tecnologia revolucionária, que melhorou a eficiência energética” no processo de desenvolvimento e administração das moedas virtuais, garante a página Guia Bitcoin.

“Escolhemos essa plataforma tecnológica porque é mais segura do mundo, que vai nos oferecer maior segurança e nos proteger contra hackers. Estamos blindados”, disse Maduro.

As transações do Petro vão utilizar um sistema conhecido mundialmente como plataforma NEM (Movimento da Nova Economia, sigla em inglês), que permite fazer transações de dinheiro (envio, recepção e depósito), assim como diferentes possibilidades por meio de seus ativos inteligentes (smart assets).

Esse sistema de troca de moedas virtuais é administrada pela Foundation NEM, com sede em Singapura. Trata-se uma empresa de tecnologia que trabalha com sistemas de segurança na rede para plataformas de troca de moeda.

Para saber como funciona a compra e venda do Petro, o governo venezuelano publicou esse Manual do Comprador.

Edição: Nina Fideles