'MEGA ELEIÇÕES'

Venezuela: governo propõe realizar eleições legislativas junto com as presidenciais

Oposição diz que não participará do processo eleitoral se governo não mudar cronograma

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)

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Maduro diz que quer realizar "mega eleição" para legisladores nacionais, estaduais e municipais / Foto: Presidência Venezuela

O presidente Nicolás Maduro propôs, na quarta-feira (21), realizar uma "mega eleição" no dia 22 de abril. Além das presidenciais, a proposta realizar também eleições legislativas para a Assembleia Nacional, mas também para legislativas estaduais e municipais. Nesse caso seriam eleitos mais de 2.300 representantes de cargos públicos.

"Proponho realizar também eleições para as Assembleias Legislativas dos 23 estados, Câmaras de 335 municípios e uma renovação integral da Assembleia Nacional, em uma grande eleição parlamentária. Proponho oficialmente à Assembleia Nacional Constituinte", disse Maduro durante um ato político.

A última eleição para a Assembleia Nacional foi realizada em 2015, que corresponde ao mandato entre 5 de janeiro de 2016 e 5 de janeiro de 2021. No entanto, esse poder legislativo foi suspenso pelo Poder Judicial depois que tentou depor, em 2016, o presidente eleito, Nicolás Maduro. A Assembleia Nacional foi declara "em desacato" e sua atividades legislativas foram consideradas "sem valor legal". 

Já os mandatos para as Assembleias Estaduais e Câmaras Municipais, estão vencidos, pois as últimas eleições foram em 2012 e 2013, respectivamente.

Os partidos de oposição não gostaram da proposta e reagiram. O deputado da Assembleia Nacional, Julio Borges, presidente do partido Primeiro Justiça, criticou o presidente Maduro. "Com essa farsa de 'mega eleições' o senhor está se suicidando. Está com os dias contados", escreveu Borges em suas redes sociais.

Oposição

A Mesa da Unidade Democrática (MUD), coalizão de partidos de oposição, propôs uma mudança de cronograma eleitoral como condição para participar da próximas eleições presidenciais, programadas para 22 de abril. De acordo com o atual cronograma os partidos teriam até o dia 26 de fevereiro inscrever candidatos. A proposta dos partidos de direita, segundo um dos principais líderes da oposição, Pablo Guanipa (partido Primeiro Justiça) é para adiar as eleições para o final do mês de junho.

"Entre o dia da convocação das eleições até a data em que serão realizadas, segundo as regras, deve passar 120 dias. No atual processo esses prazos não estão sendo cumpridos. Então estamos sugerindo a mudança do cronograma eleitoral. A data eleição é um fator fundamental para garantir a transparência do processo. Se não conseguir cumprir todos os prazos, como os registros eleitorais e as auditorias necessárias, não haverá transparência", destaca. O governo Maduro, no entanto, não se pronunciou sobre a sugestão de mudança de data das eleições.

Caso o cronograma não seja alterado, os partidos ligados a MUD, entre eles o Primeiro Justiça, Vontade Popular e Ação Democrática garantiram que não vão inscrever candidatos. isso foi o que informou o porta-voz da MUD, Ángel Oropeza, durante entrevista coletiva na tarde de quarta-feira (21). Se esse for cenários, os opositores afirmam que vão criar uma "frente amplia", que reunirá os partidos, igrejas, universidades e organizações sociais para exigir um novo processo eleitoral. 

No entanto, o opositor Henri Falcón, presidente do partido Avançada Progressista, a terceira força política da MUD, depois do Ação Democrática e Primeiro Justiça, afirmou em sua conta no Twitter que vai participar e que ganhará as presidenciais.

Ángel Oropeza também informou que a MUD está construindo um documento com "propostas básicas para o Programa de Governo da União". Segundo o porta-voz essa programa de governo seria uma resposta às críticas feitas aos partidos opositores. "Certa teoria, muito bem alimentada pelo governo, vendeu a ideia de que a Mesa da Unidade não tem projeto. Não sabe governar, não sabe o que fazer. Isso não verdade, estamos preparados para governar. mas assumimos a culpa por erros comunicacionais, porque faz informar às pessoas nossas linhas básicas de nossas propostas", disse Oropeza.

 

Edição: Juca Guimarães