Justiça

Operação Cartão Vermelho: Espetacularização e politização da justiça

Investigação que envolve o ex-governador da Bahia Jaques Wagner é contestada por apresentar graves irregularidades

Brasil de Fato | São Paulo

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Jaques Vagner, em entrevista à TV Brasil / Foto: Elza Fiúsa/ Agência Brasil

Um dos nomes fortes do Partido dos Trabalhadores (PT), e tido como uma alternativa à candidatura da legenda à presidência da República, o ex-governador da Bahia e ex-ministro Jaques Wagner, foi alvo de uma operação da Polícia Federal nesta segunda-feira (26), chamada Cartão Vermelho. 

Segundo a Superintendência da Polícia Federal na Bahia, Wagner teria recebido R$ 82 milhões dos cerca de R$ 450 milhões de que teriam sido desviados de obras do estádio Arena Fonte Nova, obra que teve um custo total de R$ 680 milhões. O petista nega envolvimento com qualquer ato irregular.

Para Yuri Félix, doutor em Ciências Criminais e membro do IBCCRIM (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais) há uma forte inconsistência nos números da acusação.

“Se a obra custou R$ 680 milhões, mas ele desviou R$ 450 milhões, então significa que o estádio não está lá. Mas não, o estádio está. Então como assim? Então temos algum erro de cálculo no espectro acusatório. A acusação já começa mal. É uma questão matemática, não é uma questão de opinião. É uma questão de raciocínio lógico em que a conta não fecha”. 

Em coletiva de imprensa, o ex-governador da Bahia criticou o fato de que alguns meios de comunicação receberam antecipadamente a informação sobre a operação, estando a postos em frente a sua residência em Salvador antes mesmo da chegada das autoridades. Para Felix, uma prática nada compatível com o estado democrático de direito. 

“Existe um conceito no direito do consumidor da propaganda opressiva. Para mim, isso é uma propaganda política opressiva. É a instrumentalização dos meios de comunicação para atender aos interesses de determinados setores. Para mim é inconcebível que um meio de comunicação chegue primeiro ao suposto local onde ocorrerá a busca e apreensão, antes mesmo da polícia, que é o ente competente para efetuar aquela busca e apreensão”. 

Outra irregularidade apontada por Felix é o pedido de prisão preventiva que, em sua avaliação, carece de justificativa legal. “Esse pedido de prisão preventiva é uma das maiores arbitrariedades que se tem notícia nos últimos tempos. Não existe nenhum elemento que seja capaz de fundamentar um pedido de prisão preventiva do ex-governador”. 

Para Wadih Damous, advogado e deputado federal (PT-RJ), a Polícia Federal atua como como uma polícia política, visando anular as possibilidades eleitorais dos nomes fortes do PT. “Passa a impressão de que qualquer pessoa, qualquer liderança do PT que seja apontado como possível candidato venha a sofrer arbitrariedades como a que o ex-governador Jaques Wagner sofreu. Infelizmente é a Polícia Federal atuando como polícia política”. 

A operação Cartão Vermelho ocorre poucos dias depois do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia ter mandado arquivar um processo contra o ex-governador Jaques Wagner, que tratava dos mesmos fatos narrados na operação desta segunda-feira.

Edição: Juca Guimarães