Corrida eleitoral

Rio Grande do Sul: O que cada deputado estadual buscará nas eleições de 2018

Ao menos 44 parlamentares da Assembleia Legislativa gaúcha deverão buscar a reeleição no próximo ano

Sul 21

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Partidos ainda estão com prazo para inscrições de candidaturas abertas e sem definições oficiais / Joana Berwanger/Sul21

Da disputa pela Presidência a sair da vida pública, os 55 deputados estaduais da Assembleia Legislativa vão alinhando seus planos para as eleições de 2018.  Atualmente, 44 estão colocados como pré-candidatos para buscar a reeleição, enquanto seis devem tentar o salto da AL para a Câmara de Deputados, três ainda estão indefinidos, Miriam Marroni não deve se candidatar e Manuela D’Àvila é pré-candidata a presidente.

Vale salientar que os partidos ainda estão com prazo para inscrições de candidaturas abertas e sem definições oficiais. O Sul21 conversou durante a semana com deputados e assessorias dos partidos para traçar um quadro do cenário eleitoral no RS (ainda pode sofrer mudanças). Isso inclui planos de alguns partidos para a disputa do Palácio Piratini e pleitos para deputado federal e senador.

PT

Maior bancada da Assembleia Legislativa nas últimas cinco legislaturas, o PT tem o desafio de ao menos manter suas atuais 11 cadeiras, que já são um número abaixo das 14 conquistadas na última vez que ocupou o Palácio Piratini, em 2010.

O partido tem nove de seus 11 deputados estaduais como pré-candidatos para concorrer a reeleição – Edegar Pretto, Stela Farias, Luiz Fernando Mainardi, Ademir Tortelli, Nelsinho Metalúrgico, Zé Nunes, Valdecir Oliveira, Tarcísio Zimmermann e Jefferson Fernandes. Depois de dois mandatos, Miriam Marroni não tentará uma nova eleição, mas seu marido, Fernando Marroni, que candidatou-se a deputado federal em 2014, busca uma vaga na Assembleia. Adão Villaverde ainda está indefinido, mas pode deixar de se candidatar.

Para a Câmara, os sete parlamentares petistas tentarão a reeleição. O partido também já tem pré-candidatos definidos para o Piratini, Miguel Rossetto, e para o Senado, Paulo Paim, buscando o terceiro mandato. Segundo o presidente estadual da legenda, Pepe Vargas, ainda não há definição sobre possíveis coligações, mas não serão feitas alianças com partidos que participam das atuais bases dos governos Sartori e Temer.

MDB

Segunda maior bancada da Assembleia Legislativa, o MDB deverá ter todos os seus deputados estaduais concorrendo à reeleição, com a única exceção de Ibsen Pinheiro, que é suplente e ocupa a cadeira de Fábio Branco (secretário-chefe da Casa Civil). O decano da bancada ainda está indefinido se buscará um novo mandato. Já Gabriel Souza, Gilberto Capoani, Vilmar Zanchin, Juvir Costella, Tiago Simon, Álvaro Boessio e o já citado Branco devem buscar a reeleição.

O mesmo ocorre com a bancada federal do partido, que conta com dois titulares ocupando secretarias no governo Sartori, Giovani Feltes e Márcio Biolchi. Ambos também tentarão voltar à Câmara. O partido ainda deve ter nomes conhecidos nas disputas, como o ex-vice-prefeito de Porto Alegre Sebastião Melo. Uma aposta do MDB é a vereadora Comandante Nádia, em primeiro mandato na Câmara da Capital. Apesar de ainda não admitir oficialmente, o governador Sartori provavelmente concorrerá à reeleição.

PP

Terceira maior bancada da casa ao lado do PDT, o PP terá o atual secretário estadual dos Transportes, Pedro Westphalen, trocando a disputa da AL por uma tentativa de vaga em Brasília. A bancada também perderá o atual suplente Marcel Van Hattem, que deve concorrer a deputado federal pelo Novo. Os demais deputados estaduais – Silvana Covatti, Ernani Polo, Adolfo Brito, Fixinha e Sérgio Turra devem buscar a reeleição.

No âmbito da Câmara, o campeão de votos da eleição passada, Luis Carlos Heinze, já se colocou como pré-candidato ao Palácio Piratini. O partido diz que não abrirá mão de candidatura própria como forma de ampliar suas bancadas. O PP também terá o desafio de manter sua cadeira no Senado, com Ana Amélia Lemos buscando a reeleição.

PDT

O partido começou a atual legislatura com oito deputados e perdeu um no meio do caminho, com a saída de Regina Becker Fortunatti para a REDE. Dos sete remanescentes, cinco já estão confirmados que tentarão retornar à AL em 2019 (o partido também teve um de seus deputados cassados nesta legislatura, Dr. Basegio). Ciro Simoni ainda está indefinido, admitindo que sua tendência de momento é não concorrer, e Marlon Santos, o terceiro deputado mais votado no Estado em 2014, tentará uma vaga na Câmara Federal.

Em Brasília tentarão permanecer os atuais deputados federais Pompeo de Mattos e Afonso Motta. Entre os nomes que o partido aposta na Câmara estão ainda o ex-prefeito de Caxias do Sul Alceu Barbosa Velho e a primeira-dama de Gramado, Bianca Bertolucci. Para o Piratini, o PDT já tem anunciada a candidatura de Jairo Jorge, ex-prefeito de Canoas pelo PT.

PTB

O PTB é o partido que passará pela maior renovação de seus quadros. Dos seus cinco deputados estaduais, três irão buscar uma cadeira na Câmara – Ronaldo Santini, Marcelo Moraes e Maurício Dziedricki. Isso ocorre porque dois de seus três atuais deputados federais não buscarão a reeleição. Sérgio Moraes deixará a vaga para o filho, Marcelo, e Luiz Carlos Busato elegeu-se prefeito de Canoas. Ex-ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira é o único federal que buscará a reeleição.

No legislativo estadual, Aloísio Clasmann e Luis Augusto Lara tentarão a reeleição. Diante disso, o partido terá uma nominata de novos rostos para a Assembleia, que pode incluir o vereador Adiló Didomenico, de Caxias do Sul. A expectativa é que o partido também tenha no ex-chefe de Polícia Civil, Ranolfo Vieira Júnior, um candidato a vice-governador. O partido admite conversas para compor a chapa de Eduardo Leite (PSDB).

PSDB

Com quatro cadeiras na Assembleia Legislativa, o PSDB terá o seu campeão de votos, Lucas Redecker (96 mil votos em 2014, segundo mais votado), buscando uma vaga na Câmara Federal, onde o partido fez apenas uma cadeira em 2014 – ocupada por Yeda Crusius desde que Nelson Marchezan Jr. elegeu-se prefeito de Porto Alegre.

Adilson Troca, Pedro Pereira e Zilá Breitenbach (que assumiu como titular depois de Jorge Pozzobom eleger-se prefeito de Santa Maria) buscarão a reeleição. A aposta do partido é que a candidatura do ex-prefeito de Pelotas, Eduardo Leite, ao Piratini possa fortalecer as votações parlamentares da legenda.

PSB

Com três cadeiras na atual legislatura, o PSB deve ter os seus três deputados concorrendo à reeleição: Elton Weber, Liziane Bayer e Catarina Paladini – que assumiu como titular após Miki Breier se eleger prefeito de Cachoeirinha em 2016. O partido também tentará reeleger seus dois deputados federais, Heitor Schuch e José Luiz Stédile. Atualmente na base do governo Sartori, o PSB ainda não definiu se lançará candidato, se apoiará a provável candidatura à reeleição do governador ou se buscará outra coligação. O sempre cotado Beto Albuquerque, segundo apurou a reportagem, deve buscar uma cadeira no Senado ou na Câmara.

PCdoB

Talvez a maior dúvida que paire sobre as eleições para a Assembleia Legislativa seja para onde irão os 222 mil votos que Manuela D’Ávila fez em 2014, e que lhe garantiram o posto de mais votada por mais de 120 mil votos de diferença para o segundo colocado (Redecker). Juliano Roso, a segunda cadeira do partido na AL, tentará a reeleição, mas, em 2014, obteve apenas 17 mil votos.

A legenda também terá situação difícil na Câmara, onde viu seu único deputado eleito, João Derly, migrar para a REDE no meio da Legislatura. O presidente municipal, Márcio Cabral, destaca que o partido está dedicado a criar condições para dar suporte político à candidatura de Manuela à presidência, o que significa lançar o maior número possível de candidatos para Assembleia e para a Câmara. Ele diz que a legenda terá candidatos nas 20 maiores cidades do Estado. Márcio ainda destaca que está sendo feito um trabalho de convencimento para que o ex-deputado Raul Carrion volte a concorrer, desta vez para uma vaga federal.

PSol

Atualmente, o PSol tem apenas um deputado estadual, Pedro Ruas, que pretende ir à reeleição. Com 36.230 votos, Ruas foi o 42º candidato mais votado em 2014. Contudo, a expectativa é que a bancada do partido possa crescer consideravelmente na próxima legislatura em razão da provável candidatura da ex-deputada federal Luciana Genro à Assembleia Legislativa.

Segundo Ruas, a expectativa do partido é que Luciana seja uma campeã de votos – ela foi uma das mais votadas nas três vezes que concorreu a deputada federal -, o que pode levar a o partido a alcançar de três a quatro cadeiras na Casa, segundo suas projeções. Outro nome do partido para o qual se tem expectativas é o de Jurandir Silva, que ficou em terceiro lugar na disputa à prefeitura de Pelotas e teve 24.358 votos em 2014.

No plano federal, o PSol tentará sua primeira cadeira desde que Luciana Genro deixou a Câmara ao final de 2010. A expectativa principal é sobre a vereadora de Porto Alegre Fernanda Melchionna, a mais votada nas eleições de 2016. Em entrevista ao Sul21, o presidente nacional do partido, Juliano Medeiros, disse que ela deve concorrer para deputada federal. O partido tem Roberto Robaina como pré-candidato ao Piratini.

REDE

A entrada de Regina Becker Fortunatti na REDE garantiu ao partido sua única cadeira na atual legislatura – a legenda não existia oficialmente em 2014. Regina, que fez 46.788 votos, tentará a reeleição.

PPS

Única integrante da bancada do PPS, Any Ortiz tentará manter sua cadeira na AL, mas terá que aumentar sua votação (22 mil votos em 2014) se não quiser depender dos outros partidos da coligação para se eleger.

PPL

Quem também provavelmente terá dificuldades de manter a cadeira na Assembleia sem os votos de Manuela é o deputado Bombeiro Bianchini, que fez apenas 13 mil votos em 2014, elegendo-se graças ao fato de estar na mesma chapa que a comunista. Bianchini ainda terá o desafio de trocar de partido, visto que o diretório estadual do PPL pediu sua expulsão por ter votado a favor do governo Sartori no projeto de adesão ao Regime de Recuperação Fiscal.

PR

Também eleito na chapa com Manuela D’Ávila, Missionário Volnei deve ter um caminho mais fácil nas próximas eleições. Pastor evangélico, Volnei fez 33 mil votos em 2014 e, como o PR tem uma bancada federal significativa na Câmara, é um partido que deve ser visado para coligações nesta eleição.

PRB

Em situação semelhante está Sérgio Peres, também ligado à igreja evangélica, que foi o sexto mais votado em 2014 e teria sido eleito mesmo sem os votos do PSDB, que compôs a chapa com o seu PRB. O partido, que também terá Carlos Gomes buscando a reeleição para a Câmara, terá a ex-vice-prefeita de Canoas Beth Colombo como nome importante para tentar aumentar sua bancada na AL.

PV

Por outro lado, em situação bastante improvável de conseguir se reeleger por conta própria está João Reinelli, que fez apenas 9 mil votos em 2014 e garantiu sua vaga graças aos votos dos demais candidatos do PV, do PSC e do PEN, que compunham a coligação. À reportagem, sua assessoria disse que ele ainda não definiu se buscará um novo mandato.

PSD

O PSD conseguiu uma cadeira na legislatura passada graças aos 41 mil votos do ex-jogador Mário Jardel, que foi cassado durante a legislatura. O atual ocupante da cadeira, Edu Oliveira, fez apenas 9 mil votos, mas diz que irá trocar de partido para concorrer a reeleição. O PSD, no entanto, tem o segundo deputado federal mais votado do RS, o também ex-jogador Danrlei (158 mil votos em 2014), e o vice-governador, José Paulo Cairoli.

Para ficar atento 

Outra candidatura que deve ser importante no Estado é a do ex-prefeito José Fortunati, que irá buscar uma vaga no Senado, mas ainda não definiu por qual partido, uma vez que deixou o PDT ao término de sua gestão. O partido Novo, que terá em Van Hattem seu nome principal no Estado, também deve ter uma grande nominata para buscar espaço na AL, assim como já conseguiu na Câmara de Vereadores de Porto Alegre.

O que os 55 deputados estaduais devem buscar em 2018:

Jefferson Fernandes (PT) – reeleição

Stela Farias (PT) – reeleição

Luiz Fernando Mainardi (PT) – reeleição

Edegar Pretto (PT) – reeleição

Altemir Tortelli (PT) – reeleição

Nelsinho Metalúrgico (PT) – reeleição

Zé Nunes (PT) – reeleição

Valdecir Oliveira (PT) – reeleição

Miriam Marroni (PT) – não concorrerá

Adão Villaverde (PT) – indefinido/não concorrerá

Tarcísio Zimmermann (PT) – reeleição

Gabriel Souza (MDB) – reeleição

Vilmar Zanchin (MDB) – reeleição

Gilberto Capoani (MDB) – reeleição

Edson Brum (MDB) – reeleição

Juvir Costella (MDB) – reeleição

Fábio Branco (MDB, atual secretário) – reeleição

Tiago Simon (MDB) – reeleição

Álvaro Boessio (MDB) – reeleição

* Ibsen Pinheiro (MDB, suplente) – indefinido/não concorrerá

Frederico Antunes (PP) – reeleição

Silvana Covatti (PP) – reeleição

Ernani Polo (PP, secretário) – reeleição

Sérgio Turra (PP) – reeleição

Pedro Westphalen (PP, secretário) – deputado federal

Adolfo Brito (PP) – reeleição

Fixinha (PP) – reeleição

*Marcel Van Hattem (PP, suplente) – deputado federal pelo Novo

*Gerson Borba (PP, suplente) – reeleição

Juliana Brizola (PDT) – reeleição

Marlon Santos (PDT) – deputado federal

Gilmar Sossela (PDT) – reeleição

Eduardo Loureiro (PDT) – reeleição

Enio Bacci (PDT) – reeleição

Ciro Simoni (PDT) – indefinido/não concorrerá

Gerson Burmann (PDT) – reeleição

Ronaldo Santini (PTB) – deputado federal

Luis Augusto Lara (PTB) – reeleição

Aloísio Classmann (PTB) – reeleição

Marcelo Moraes (PTB) – deputado federal

Maurício Diziedricki (PTB) – deputado federal

Lucas Redecker (PSDB) – deputado federal

Zilá Breintebach (PSDB) – reeleição

Troca (PSDB) – reeleição

Pedro Pereira (PSDB) – reeleição

Elton Weber (PSB) – reeleição

Catarina Paladini (PSB) – reeleição

Liziane Bayer (PSB) – reeleição

Manuela D’Ávila (PCdoB) – pré-candidata à Presidência

Juliano Roso (PCdoB) – reeleição

Sérgio Peres (PRB) – reeleição

Pedro Ruas (PSOL) – reeleição

Regina Becker Fortunatti (REDE) – reeleição

Any Ortiz (PPS) – reeleição

Bombeiro Bianchini (PPL) – reeleição por outro partido

Missionário Volnei (PR) – reeleição

João Reinelli (PV) – indefinido

Edu Oliveira (PSD) – reeleição, possivelmente por outro partido

*Perderão suas cadeiras na atual legislatura quando os titulares (secretários do governo Sartori) retornarem à AL

Edição: Sul 21