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As lutas e a história do 8 de março: o Dia Internacional de Luta das Mulheres

O resgate da história da data é inspiração para os movimentos feministas atuais

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Nos últimos anos, o 8 de março tem sido a abertura do calendário de lutas do ano. / Mídia Ninja

A origem do 8 de Março remonta a nossa memória como uma celebração a dezenas de mulheres mortas num incêndio criminoso num fábrica em 1908. A história que nos é contada na escola e na mídia, ao contrário do que se pensa, é um mito. Estudos comprovam que o incêndio que aconteceu em 25 de Março de 1910 na fábrica Triangle Shirtwaist Company não tem relação direta com a comemoração internacional. O resgate histórico feito a partir de pesquisas relaciona a origem da data a manifestações organizadas pelas mulheres do Partido Social Democrata Alemão e o Partido Operário Social-Democrata Russo ainda no início do século XX. 

Essa parte da história, que parece ter sido esquecida, remonta a uma época em que as mulheres tinham jornadas de 12 a 14 horas diárias, trabalhavam até o fim da gravidez e por vezes pariam seus filhos dentro das fábricas e pouco dias depois estavam novamente inseridas nas extensas jornadas de trabalho, algumas até mesmo em serviços insalubres, não tinham direito a nenhum tipo de participação na política e por vezes o casamento era a única saída para saírem da miséria, ou então seriam jogadas para o serviço doméstico ou a prostituição. 

As manifestações foram organizadas em 8 de Março de 1914 na Alemanha, Suécia e Rússia. A reivindicação das mulheres trabalhadoras não objetivava apenas o sufrágio universal, que era também uma pauta das mulheres burguesas e que já detinham poder. Além disso, as mulheres socialistas pautaram a jornada de trabalho de oito horas, licença-maternidade e a proibição de trabalho feminino em áreas insalubres.

Foi a partir do exemplo de resistência das mulheres socialistas na Europa que surge o Dia Internacional da Mulher. Há mais de 100 anos atrás, as mulheres russas experimentaram durante anos pautas que ainda não foram conquistadas em diversos países do mundo, como o direito ao divórcio, a implantação de creches e lavanderias públicas para diminuir a carga de trabalho doméstico e a dupla jornada de trabalho, a legalização do aborto, a participação política com o direito ao voto e também a candidaturas e outras medidas que, um século depois, continuam sendo vistas como avançadas. 

No Brasil, mulheres como Dandara, Margarida Alves, Helenira Resende e várias outras mulheres deram seu exemplo de luta contra o racismo e a escravidão, o latifúndio, a violência e a ditadura militar e até hoje estão no imaginário das mulheres como exemplos de luta e coragem. 

Nos últimos anos, o 8 de março tem sido a abertura do calendário de lutas do ano. Em 2018, as pautas centrais são a luta pela democracia e contra as medidas do governo golpista de Michel Temer. Atos em todo o país levaram milhares de mulheres as ruas em mais um exemplo de resistência contra os retrocessos trazidos pelo golpe e a ofensiva neoliberal.

É nesses momentos de acirramento que vemos a importância e a necessidade da organização e da luta das mulheres não apenas como forma de enfrentamento a este projeto de sociedade que mostra seus sinais de esgotamento e fracasso, mas na construção de uma nova sociedade, mais justa e igualitária para as mulheres.

Edição: Monyse Ravenna