Poder Popular

Nas ruas de Havana, cubanos falam sobre a eleição deste domingo

Saiba o que pensam os eleitores e quais as expectativas em relação ao novo parlamento

Brasil de Fato | Enviada especial a Havana (Cuba)

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Apesar do voto não ser obrigatório em Cuba, a aposentada Rita Mercado Sastre faz questão de comparecer às urnas / Fania Rodrigues

Oito milhões de cubano vão às urnas, nesse domingo (11), para eleger os deputados da Assembleia Nacional do Poder Popular e delegados das Assembleias Provinciais (o equivalente a Assembleia Legislativa estadual, no Brasil).



Essas eleições trazem uma série de elementos novos para a política cubana, entre elas o aumento da participação dos jovens, mulheres e negros no processo eleitoral. O Brasil de Fato foi às ruas de Havana para saber como os cubanos estão olhando para esse processo eleitoral e quais suas expectativas para este momento.



Enquanto escolhe a carne que vai comprar no açougue do seu bairro, a dona de casa Maria Perez Diaz fala sobre o desejo de mudança na economia por parte da população, mesmo que nos últimos anos o acesso a bens e produtos tenha melhorado.



“Cuba melhorou muito nos últimos anos, mas precisamos avançar mais, principalmente no econômico. A escassez de alimentos ainda é o que mais nos afeta. Isso é o principal. É cedo para dizer se o novo governo será bom para Cuba, mas sempre esperamos o melhor”, diz a moradora do município de Marianao, zona leste da grande Havana.



As reformas política e a econômica devem começar a ser discutidas logo depois das eleições do parlamento, em março, e a de presidente, em abril. Além disso, uma nova geração de políticos, que já ocupam a maioria dos cargos em núcleos de base e assembleias municipais, agora podem chegar à máxima instância do poder político cubano: a Assembleia Nacional.



Apesar do ambiente ser de expectativa, o povo cubano transmite a sensação de tranquilidade e serenidade. A maioria das pessoas abordadas pelo Brasil de Fato se diz orgulhosa do sistema eleitoral cubano, como é o caso do comerciante Ernesto Cabrera Gomes.



“As eleições em Cuba é um processo democrático, onde o povo escolhe os dirigentes que vão nos representar. Minha candidata, por exemplo, é uma pessoa que já atua em organizações de massa, é presidente do núcleo de base, e que tem sido muito ativa na solução dos problemas que temos no bairro”, diz o comerciante, que tem um mercado de frutas e verduras na região leste da grande Havana.



Apesar do voto não ser obrigatório em Cuba, a aposentada Rita Mercado Sastre faz questão de comparecer às urnas. “É obrigação de todo cubano sair a votar nesse domingo”, diz. Ela explica que os candidatos vêm de diferentes setores da sociedade. “No centro eleitoral onde voto, os candidatos vêm das universidades, do setor camponês, alguns trabalhadores de empresas e diferentes órgãos estatais. Nessa eleição, observamos um aumento da participação das mulheres, assim como dos jovens”, aponta a eleitora. Segundo a edição de sábado (10), do jornal Gramma, de Cuba, o percentual de candidatas mulheres é de 53,22%.



Poder Popular



A secretária da Comissão Eleitoral Municipal de Marianao, Wilma Lubin Marin, explica ainda que o processo eleitoral cubano foi formulado para facilitar a chegada das pessoas que fazem parte das bases populares ao poder. “Os delegados de base podem chegar a mais alta esfera do poder do Estado. Eles são os legítimos representantes do povo no parlamento cubano. O povo os conhecem porque eles saem da base. Não estão lá por uma empresa ou uma indicação política, mas porque fazem trabalho nos bairros”, comenta a secretária do Poder Eleitoral.



De acordo com Wilma Lubin Marin, isso é possível porque o processo eleitoral cubado tem várias etapas. “Na primeira etapa das eleições gerais escolhemos os delegados dos núcleos de base, eles são os representantes do povo da Assembleia Municipal do Poder Popular. Depois disso é conformada a comissão da candidatura conformada pelas organizações de massa, que também apresentam suas propostas de candidatos a deputados. Essas são as duas instâncias que selecionam os candidatos. Por isso que os parlamentares têm legitimidade, pois eles vêm de baixo”, explica.



Para o integrante do Partido Comunista Cubano (PCC), Arturo Matute Ayala, o sistema política cubano é único no mundo, por isso é objeto de crítica. “O maior problema dos Estados Unidos com Cuba se deve ao fato deles não terem conseguido derrotar o sistema político e eleitoral cubano. Temos um sistema político controlado pelo povo, desde abaixo com os setores mais humildes pelas organizações de massa. São eles que fazem e aprovam as leis. É um sistema impenetrável. Esse é um país socialista, no nariz dos Estado Unidos, que eles não puderam derrotar”, ressalta Arturo, de 70 anos, um quadro histórico do PCC.



A votação começa às 7h da manhã desse domingo e vai até às 18h. O Brasil de Fato estará nas ruas de Havana, trazendo informações sobre o processo eleitoral da ilha caribenha. Acompanhe-nos nas redes sociais e em nossa página web.


Edição: Luiz Felipe Albuquerque