Recife

Moradores do bairro de Passarinho protestam por mais escolas

Local conta com uma unidade escolar que atende apenas o ensino fundamental

Recife | Brasil de Fato Pernambuco

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O bairro de Passarinho é um dos mais habitados da Região Metropolitana do Recife / Rani de Mendonça

Na manhã desta terça-feira (13), moradores e moradoras do bairro de Passarinho fizeram um ato público para denunciar as precariedades de falta de infraestrutura e de vagas na única escola do bairro. São mais de 70 mil habitantes e cerca de 80 crianças, com idades que variam de 4 a 10 anos, fora da escola. “A Escola Marluce Santiago, que é a única que tem aqui, está sem matricular novos alunos desde 2016. Esse ano, estamos mais uma vez aqui, tentando discutir a necessidade dessas crianças estarem estudando, por direito”, conta Ediclea Santos, militante do Espaço Mulher de Passarinho, uma das organizações que organizou o ato junto com as mães.

Eduarda Ruana, 27 anos, que é moradora do conjunto habitacional Miguel Arraes e mãe de três filhos, lembra que quando foi transferida, através do programa da Prefeitura do Recife, a promessa era ter acesso à saúde, educação e transporte. “Eu já tive que entregar a minha mais velha para a família do pai, porque não tinha como ela estudar aqui. O Prefeito tirou a gente de Beberibe dizendo que a gente ia ter tudo, inclusive escola. Chegou aqui, a gente não tem nada e ficou por isso mesmo”, conta. Meio a esse cenário, Eduarda ainda teve o benefício do Bolsa Família cancelado, porque consta em sistema que seus filhos não estão estudando. “Claro, não estão porque não tem vaga e não porque eu não quero. Pelo contrário, o que eu mais queria na vida para os meus três filhos era uma escola”, lamenta.

 

Desde 2016 as mulheres do Espaço Mulher, junto com as moradoras de Passarinho têm trabalhado e discutido com a comunidade sobre a deficiência na educação. “Nós já tivemos várias reuniões com a Secretaria de Educação, procuramos terrenos junto com a Secretaria para construírem novas escolas e maiores, mas o prefeito fica alegando que não tem dinheiro e não faz nada.”, conta Ediclea.   

O Conselheiro Tutelar, Vado Luiz, esteve presente durante todo o ato recolhendo documentações de mais crianças fora da escola para buscar ajuda judicial. Ele já havia recebido cerca de 80 denúncias. “Está em tramitação no Fórum Tomaz de Aquino, a ação que solicitamos que essas crianças que estão fora das salas de aulas, sejam matriculadas em escolas particulares, enquanto eles não constroem novas escolas. Pedimos também que a Prefeitura construa mais escolas e creches, nos bairros que têm grandes fluxos de pessoas”, diz. A Prefeitura já foi condenada em primeira instância, mas recorreu. “O próximo passo é termos um movimento para que a justiça cobre da Prefeitura a construção dessas escolas”, acrescenta.

Sobre o bairro

O bairro de Passarinho é um dos mais habitados da Região Metropolitana do Recife. Territorialmente o bairro fica na divisa entre as cidades de Recife e de Olinda. O local surgiu no final dos anos 1980, onde cerca de 500 famílias que moravam no Morro da Conceição, também localizado na Zona Norte do Recife, e em comunidades vizinhas, foram beneficiadas com lotes na região por meio de uma ação do governador do estado de Pernambuco, Miguel Arraes. A iniciativa foi uma forma tinha como objetivo tirar quem morava em situação de risco ou estava desabrigado, e motivada por uma longa batalha conduzida pelo Conselho de Moradores do Morro da Conceição.  Hoje, o bairro briga por políticas públicas e infraestrutura básica como posto de saúde, escolas, creches e transporte público.

Edição: Monyse Ravenna