Retrocessos

Editorial | Soberania, democracia e direitos

"Estamos sendo golpeados com uma intensa onda de privatização de setores estratégicos da nação"

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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"Por tudo isso, para superar o golpe, nos resta o desafio de construirmos força social capaz de restaurar nossa democracia" / Claudius/Reprodução

Soberania, democracia e direitos. O combate a essas três palavras sintetiza os verdadeiros motivos do golpe em nosso país. E a defesa dessas três questões coloca também a possibilidade de superá-lo.

Soberania

Estamos sendo golpeados com uma intensa onda de privatização de setores estratégicos da nação, tanto de empresas públicas estatais como dos bens naturais, como o petróleo do pré-sal, partes  importantes da Petrobras, as hidrelétricas e a Eletrobrás, a água, os dois maiores aquíferos do mundo, Guarani e Alter do Chão, os nossos rios e o sistema de saneamento.

Outra questão de grande relevância são as propostas de abertura da legislação brasileira para a compra de grandes extensões de terras por grandes empresas estrangeiras bem como o ataque sobre os nossos bens minerários. Buscam ainda a privatização dos bancos públicos, como a Caixa Econômica Federal, o BNDES, Banco do Brasil e a própria Casa da Moeda. Também almejam a privatização da Embraer uma das empresas de alta tecnologia brasileira, entre outras.

Democracia

O desmonte de nossa incipiente democracia foi decisivo, e segue sendo, para a implementação de todo esse ataque à soberania e sobre aos direitos, visando os grandes interesses do grande capital internacional em crise.

Vivemos um golpe parlamentar, midiático, jurídico e, neste momento, um ensaio militar, a partir da intervenção federal no Rio de Janeiro. Eles buscam com isso ganhar apoio popular para uma possível expansão territorial da intervenção para, se necessário for, adiar as eleições de 2018.

A condenação e a possível prisão da maior liderança popular do nosso país, o Lula, visa garantir a vitória dos golpistas nas eleições. Por isso se torna estratégico para os golpistas limitar a atuação política do ex-presidente Lula, visto a evidência clara de que ele ganharia as eleições.

Direitos

São muitos os ataques aos direitos da população. Já aprovaram a reforma trabalhista, tentaram fazer o desmonte da Previdência, congelaram o orçamento de setores sociais essenciais por 20 anos, como o da saúde e educação, e agora buscam a sua privatização. Outros elementos que violam direitos é o aumento do custo de vida da população, por meio das tarifas de energia elétrica, dos combustíveis, do botijão de gás, da alimentação, do transporte, da moradia, etc.

Congresso do Povo para construir força social

Por tudo isso, para superar o golpe, nos resta o desafio de construirmos força social capaz de restaurar nossa democracia, recuperar nossos direitos e nossa soberania. Só ter opinião pública favorável ou possibilidades eleitorais por si só não derrotam o golpe. Apenas a construção de força social real no meio do povo é capaz dessa façanha.

Sendo assim, a grande aposta da Frente Brasil Popular é construir o Congresso do Povo. Um processo que tem como objetivo uma forte inserção no meio da população, por meio da retomada do trabalho de base o reagrupamento de milhares de lideranças populares e progressista realizando processos, de formações estaduais, regionais e municipais, nos meses de março e abril. Realizar, de abril a maio, congressos municipais do povo e criar milhares de comitês. Em junho, realizar congressos estaduais e no final de julho o congresso nacional. E aí será possível a abertura de um novo processo de intensa luta.

E assim nosso sonho se tornará força e energia para a construção coletiva de nosso destino, em busca permanente de nossa felicidade!

Edição: Joana Tavares