Paralisação

PR | Jornalistas de O Diário permanecem em greve por tempo indeterminado

A greve teve início em 7 de fevereiro reivindicando salários atrasados desde outubro de 2017

Brasil de Fato | Maringá (PR)

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Paralisação exige ainda pagamento de 13º, férias e depósito do FGTS / Valdete da Graça

A greve dos jornalistas do periódico O Diário, veículo de comunicação localizado em Maringá, noroeste do Paraná, perdura há mais de 30 dias. Deflagrada em 7 de fevereiro, a paralisação dos 15 funcionários foi motivada pelo atraso no pagamento dos salários, que não acontece desde outubro de 2017. Trabalhadores também reivindicam 13° salário, férias e o depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), este último retido desde maio de 2016.

De acordo com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná (Sindijor PR), a empresa vem atrasando os salários desde o início de junho de 2016, parcelando o pagamento durante esse período. Desde que a situação se estabeleceu, três jornalistas já saíram, mas não foram ressarcidos até agora. Muitos tiveram de vender bens ou fazer empréstimos para conseguir pagar as dívidas acumuladas. “O corte desse dinheiro impacta diretamente em questões básicas, como alimentação, pagamento de contas, compra de medicamentos, além de acarretar no desenvolvimento de doenças de ordem psicológica, como já presenciamos com colegas na redação”, explica a jornalista grevista Tais Nakakura.

Durante os 30 dias de greve, foram organizados seis protestos. O primeiro aconteceu em frente ao jornal O Diário. O ato também contou com o apoio e presença de diversos sindicatos da cidade. Durante a manifestação, o grupo entregou panfletos que esclareciam os motivos da paralisação.

Reunidos em frente ao edifício onde mora o proprietário do jornal, Frankilin Viera da Silva, outro protesto teve o objetivo de chamar atenção da população. Para simbolizar a morte da atual diretoria, um caixão foi levado ao local, além de cartazes pedindo os direitos dos jornalistas. Numa tentativa de intimidar os grevistas, uma notificação foi enviada ao Sindijor, comunicando uma ação judicial que alega danos morais, difamação e injúria contra o proprietário do jornal.

Proposta patronal

O ato mais recente aconteceu no dia 3 de março, em uma das principais avenidas do centro de Maringá. Além de sindicatos da cidade, os grevistas tiveram suporte e apoio da diretoria do Sindjor PR.

Grevistas denunciaram que a direção do jornal está retirando, desde o fim de 2016, recursos para sócios da empresa, indo contra a Lei de Recuperação Judicial. Eles também criticam o silêncio das mídias de Maringá à respeito da greve, apontando que o diretor tem usado de sua influência para persuadir os demais proprietários.

Com a continuidade da greve, uma proposta foi sugerida pelo lado patronal. Eles ofereceram o pagamento dos salários atrasados condicionado à venda de terrenos e propriedades do grupo. A oferta não foi aceita pelos grevistas. De acordo com Tais Nakakura, a mesma promessa já havia sido feita anteriormente e não foi cumprida. “Nós esperamos que a empresa faça uma proposta concreta de como pagará os salários e demais benefícios atrasados. Queremos garantias reais”, afirma.

Em reposta à proposta, os grevistas encaminharam uma nova asserção à direção da empresa. No documento, eles incluem os pagamentos em atraso, Plano de Demissão Voluntária (PDV) atrelado ao pagamento de todas as parcelas em atraso e estabilidade pelo período de dois anos. Além disso, foi solicitado que não sejam descontados os dias parados e nem compensado em banco de horas, uma vez que essa medida não consta na convenção coletiva da categoria. Enquanto não há acordo, a greve continua por tempo indeterminado.

Edição: Ednubia Ghisi