Violência

Audiência sobre reforma agrária e violência no campo acontece no RN

A sessão foi proposta pelos movimentos após ataque em acampamento

Brasil de Fato | Natal (RN)

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A audiência foi uma das atividades realizadas pelo MST após o ataque ao acampamento Independência Camponesa / Vlademir Alexandre

Nesta última terça-feira (13), aconteceu a audiência pública “O Retrocesso da Reforma Agrária e a Violência no Campo” na Assembleia Legislativa do RN, realizada pelo deputado Fernando Mineiro (PT) em parceria com o Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST).

Essa audiência é mais uma das atividades realizada pelo movimento após o atentado sofrido no acampamento “Independência Camponesa”, localizado as margens da barragem Tabatinga, em Macaíba, na ocasião homens encapuzados ameaçaram as famílias acampadas e atiraram contra suas moradias. 

Organizações que trabalham com a questão agrária estavam presentes na audiência, como a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Serviço de Assistência Urbano e Rural (SAR) que contribuíram com avaliação sobre o retrocesso da reforma agrária no RN.

Para o diácono da Arquidiocese de Natal e representante do SAR, Adílson Silva, “A terra surge como um bem natural e não algo vinculado ao capital, e que o estado brasileiro vem o transformando desde o início da história, a favor dos que tem mais dinheiro”, reforça Antônio Junior, representante da CPT, apresentado os dados da comissão sobre a violência no campo “Em 2007 ocorreram 28 assassinatos, em 2016 esse número já aumentou para 61 e os dados para 2017 revelam 65 assassinatos”. 

“Nós vemos em dados como aumentou o numero de processos de reintegração de posse, o estado também despeja da beira da estrada, a gente teve vários casos assim no ano passado” comenta a vereadora Natália Bonavides (PT) sobre o aumento do retrocesso no estado, além de apontar a criação de um decreto pelo Governo Estadual que instituiu um comitê em defesa dos interesses do setor empresarial ruralista.

Jailma Serafim, do setor de Direitos Humanos do MST, comenta que “temos uma modernização que é conservadora, que preserva todos os pilares da formação deste estado colonial que assalta direitos, que é antidemocrático, que concentra cada vez mais a terra.    E é essa mesma formação do estado que deu origem ao golpe contra Dilma e Lula, não está desvinculado com o que estamos vivendo agora, pelo contrário, está diretamente associado.”.      

“A tentativa de criminalizar os movimentos, não se engane, a pistolagem no acampamento tem os mesmos sentido e tem haver com as ameaças de prisão, com o julgamento injusto do Lula. Tudo faz parte de um pacote de maldades que está acontecendo no Brasil” reforça o deputado Fernando Mineiro (PT). A audiência finalizou com os seguintes encaminhamentos: articular uma reunião com o A Secretaria de Estado de Assuntos Fundiários e Apoio à Reforma Agrária (Seara) para cobrar a instalação e o funcionamento do Comitê de Conflitos Agrários, além de realizar uma audiência com o governador para debater as pautas das famílias camponesas e da reforma agrária no estado.     

 

Edição: Monyse Ravena