Bahia

RESISTÊNCIA

Assembleia Mundial de Mulheres é realizada no Fórum Social Mundial

A única atividade oficial na manhã desta sexta (16) teve como foco a denúncia da execução de Marielle Franco

Brasil de Fato | Salvador (BA) |
O Terreiro de Jesus, no Pelourinho, ficou lotado durante toda a manhã.
O Terreiro de Jesus, no Pelourinho, ficou lotado durante toda a manhã. - Nacho Lemus

Milhares de mulheres de diversas partes do mundo estiveram reunidas na Assembleia Mundial de Mulheres que aconteceu na manhã desta sexta-feira (16), no Terreiro de Jesus - Pelourinho, dentro da programação do Fórum Social Mundial. Com o objetivo de apresentar os dez pontos inegociáveis das mulheres em todo o mundo, o encontro foi aberto com uma roda de capoeira e gritos de: “Marielle Franco, presente”.

 A frase, repetida durante todo o encontro, foi a forma de expressar a dor, mas principalmente a luta de tantas mulheres negras que resistem cotidianamente para se manterem vivas no Brasil e no mundo. Além da denúncia da execução da vereadora do Rio de Janeiro, mulheres de outros países subiram ao palco para condenar todos os ataques sofridos e pedir a libertação de seus territórios.

Lindinalva de Paula, integrante da Rede de Mulheres Negras da Bahia e uma das articuladoras da Assembleia, reforçou: “daqui saímos unidas para continuar a construção da revolução. A revolução virá pelas nossas mãos. Nós defendemos a vida. Lutaremos por cada mulher que o sistema matou”.

Entre as representações partidárias, Manuela D’Ávila, deputada estadual gaúcha (PC do B) destacou que “há muito tempo não estamos todas” e denunciou o golpe que vivemos no país. Sônia Guajajara, pré-candidata a vice-presidência pelo Partido Socialismo e Liberdade (Psol) subiu ao palco junto com um grupo de mulheres indígenas e afirmou que é preciso “fazer uma história inteira de luta e superar a desigualdade. Nós mulheres indígenas existimos”. “Demarcação já” e “Diga ao povo que avance” foram as frases finais de sua fala, antes de puxar um toré.

Fábia Reis, Secretária de Promoção de Igualdade Racial do governo da Bahia (SEPROMI) apontou a necessidade de continuarmos resistindo por todos os territórios “os quilombolas, os indígenas, os nossos corpos”. “Precisamos de uma nova ética política marcada com a nossa cara, um novo pacto civilizatório. Marielle vive em cada uma de nós”, concluiu.

Jussara Santana, coordenadora estadual da Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN –BA), reflete que a realização da Assembleia é de total importância. “Principalmente aqui no Terreiro de Jesus, na Bahia, onde 80% da população é negra e, dentro disso, 55% é de mulheres. Isso que aconteceu com Mairelle veio para nos fortalecer mais e mais, para seguirmos a luta contra o extermínio da mulher, o extermínio da juventude preta. Foi aqui que nossas irmãs e irmãos morreram pra construir esse Brasil. A luta continua mais forte ainda, porque agora é o mundo inteiro com Mairelle fazendo essa denúncia”.

Após as falas, a Banda Didá, grupo percussivo de Salvador formado por mulheres, abriu a caminhada pelas ruas do Pelourinho. “Nenhuma a menos”, “parem de nos matar”, “feminismo é revolução” foram trazidas nos cartazes e nas vozes durante o percurso, que terminou em frente à sede da Prefeitura e de um dos pontos turísticos mais visitados da capital baiana, o Elevador Lacerda. 

Edição: Monyse Ravena