Educação

Aula sobre golpe de 2016 lota auditório da Universidade Federal de Juiz de Fora

Em palestra de abertura, público debateu a relação do impeachment de Dilma com o Golpe de 1964

Brasil de Fato | Juiz de Fora (MG)

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OLHO Curso pretende relacionar golpe de 2016 com história, arte, educaç / Rafael Donizete/BdF

Cerca de 250 pessoas participaram da aula inaugural do curso de extensão “Golpe de 2016 e o Futuro da Democracia no Brasil” realizada na noite da quarta-feira (21) na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). O interesse pelo curso, que inicialmente oferecia cem vagas, exigiu que as aulas fossem administradas no maior auditório do Instituto de Ciências Humanas (ICH).

O debate teve início a partir da palestra de abertura dirigida pelo professor Dr. Jorge Ferreira (UFF) ao analisar o Brasil em dois momentos de golpe: em 1964 e 2016. As características e a relação entre as duas articulações golpistas incentivaram a participação de quem assistia a aula. “Eu acho que é importante debater esse assunto porque muita gente ainda não considera que foi um golpe em 2016 e há pessoas mais novas do que eu que ainda não têm a ideia do que aconteceu e o que está acontecendo no país”, relatou o adolescente de 17 anos, Pedro Henrique Vasconcelos, aluno do Cursinho Popular do Santa Cândida, bairro periférico da cidade.

Reconhecendo que o episódio histórico da política brasileira ainda gera dúvidas à sociedade, os professores responsáveis pela construção do curso planejaram uma metodologia que dialogasse ao máximo com os variados perfis do público participante, afirma Eduardo Salomão Condé, professor que compõe a organização.

“Nós montamos um curso que está estruturado em muitos campos como história, arte, educação, saúde, juventude e etc. A ideia é reunir os diferentes campos e tentar enfatizar os impactos do que aconteceu em 2016 sobre esses determinados campos”, explica. E acrescenta, “é papel da universidade não só estimular esse debate, mas também trazer à cena as consequências desse momento”, disse.

Condé detalha também que o objetivo de promover um curso de extensão em vez de uma disciplina de pós ou graduação é atrair a participação da comunidade externa à universidade. Ideia defendida pela militante da Consulta Popular, Lílian Souza, que reconhece o papel social que a universidade presta nesse momento. “A universidade é um espaço que tem que debater o momento político do Brasil, resgatando nossa história numa perspectiva crítica. As aulas vão ser momentos para a gente pensar o presente, e também projetar o futuro”, opinou.

Já o universitário e membro do Levante Popular da Juventude, Lohan Ventura, acredita que o curso contribui para se pensar uma alternativa ao golpismo em 2018. “É importante entender o momento pós-golpe para ter uma diretriz alternativa, principalmente, por estarmos em um ano eleitoral, que nos tem exigido muita luta em defesa da democracia”, comentou.

O cronograma do curso “Golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”, tem quatro unidades, e termina na primeira semana de julho. Até lá, Condé espera que o programa cumpra o papel de formação política entre os participantes. O docente ressalta o direito de se discutir o tema dentro de uma universidade, que tem sido alvo da direita durante esse período. “As pessoas que são contra o debate político acadêmico, que não concordam e querem debater outros temas se organizem e debatam com a sociedade, mas não tentem impedir aqueles que querem construir o pensamento crítico”, aponta o coordenador do curso.

Edição: Juca Guimarães