Reconhecimento

Marcha Mundial das Mulheres recebe prêmio pela luta contra o feminicídio

O evento propõe destacar a luta dos direitos das mulheres e o combate a violência

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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No Brasil, 4,8 entre 100 mil mulheres são vítimas de feminicídio / Agência PT

Nesta segunda-feira (26), acontece a cerimônia de entrega do Prêmio Heleieth Saffioti, a partir das 19h, na Câmara Municipal de São Paulo. A juíza Kenarik Boujikian, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e a Marcha Mundial das Mulheres, que fará uma apresentação durante a cerimônia, são as homenageadas desta edição.

O prêmio, criado em 2013, pela vereadora petista Juliano Cardoso, homenageia mulheres e entidades que se destacaram em ações de combate à discriminação social, racial ou sexual e na defesa dos direitos das mulheres.

"É bem legal porque homenageia o coletivo. Ele leva o nome de uma feminista que foi muito importante para a formulação a respeito do feminismo marxista no Brasil. Então isso tem muita importância, ele vai homenagear mulheres, e é um reconhecimento oficial, digamos, institucional da atuação das mulheres" explica Maria Julia Montero, militante da Marcha Mundial das Mulheres.

A juíza Kenarik Boujikian é fundadora da associação Juízes para Democracia, militante dos direitos humanos e feminista. Sua luta se evidencia em questões como direitos dos povos indígenas, encarceramento feminino, acesso à justiça e democratização do sistema de justiça. Kenarik militou pela instalação da Comissão Nacional da Verdade e Anistia aos torturadores.

Por sua vez, a Marcha Mundial das Mulheres é um movimento internacional de base popular, organizado por mulheres da cidade e do campo que protagonizam ações de rua. Elas combatem a pobreza e violência de gênero para que os direitos das mulheres sejam assegurados, e que elas ocupem a cidade, e todos os espaços. E que além disso, tenham autonomia e autodeterminação.

"Heleieth Saffioti era uma grande feminista e estudiosa. A vereadora Juliana Cardoso acerta ao constituir esse prêmio, que a Câmara dos vereadores concede às mulheres que se destacam na luta feminista, na luta pela igualdade, na luta por direitos. Então nesse momento, a marcha se destaca e não sendo um grupo ou uma entidade, e sim um movimento que está em vários lugares do mundo, e tem esse momento de reconhecimento" diz Vera Machado, integrante da Marcha Mundial das Mulheres.  

No último dia 17, a Marcha Mundial das Mulheres e outros movimentos, participaram de uma assembleia do Fórum Alternativo Mundial das Águas (FAMA), afirmando a importância de lutarem contra a mercantilização da água, pensando esse tema com um olhar feminista.

"A mulher acaba sendo diretamente atingida, na questão da água, e por mais que a gente lute para ter uma igualdade dentro dos espaços domésticos, acaba a mulher sendo protagonista desse espaço. Ela acaba absorvendo, inclusive, a necessidade de cuidados com a família. A água não é mercadoria, é um direito, a terra é um direito. Privatizar a água é um estado de invasão do capitalismo" completa Vera Machado.

O ato contou com uma homenagem a vereadora Marielle Franco e outras mulheres lutadoras vítimas do feminicídio, tal como a líder comunitária Berta Cáceres, assassinada em 2016, que sofreu perseguição e ameaças por causa de sua militância, assim como a líder sindical paraibana, Margarida Maria Alves, que morreu na frente do marido e filho, em 1983, e que move a luta diária por melhores condições de trabalho e vida no campo, e pela representatividade das mulheres nesse eixo, ela liderava o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, sua voz inspira hoje a Marcha das Margaridas.

O Brasil tem a quinta maior taxa de feminicídio do mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 4,8 entre 100 mil mulheres são assassinadas. O Mapa da Violência apontou que, entre 1980 e 2013, foram 106.093 mortes motivadas pela condição de ser mulher. Nos casos mais violentos, as vítimas foram mulheres negras.

Edição: Juca Guimarães