Rio de Janeiro

“Precisamos de um plano estadual de segurança pública de verdade”, diz Giordano

Candidato ao governo do estado pelo PCdoB afirma que intervenção militar é jogada eleitoral contra a vida dos pobres

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Leonardo Giordano é pré-candidato pelo PCdoB ao governo do estado do Rio de Janeiro / Reprodução Facebook

O Brasil de Fato abre espaço para conhecer as propostas dos pré-candidatos ao governo do estado do Rio de Janeiro. Nesta semana, o jornal conversou com Leonardo Giordano, do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Confira a entrevista. 

Brasil de Fato: O estado mergulhou numa crise econômica e social que elevou o índice de desemprego em 157% em três anos, segundo o IBGE. Qual a sua proposta para retirar o estado da crise? 

Leonardo Giordano: O Rio precisa ter governador. O atual sequer abre a boca para defender o estado. Somos o segundo estado mais rico do Brasil: arrecadamos ano passado R$ 140 bilhões para o governo federal e ficamos só com R$ 21 bilhões. Precisa unir o Rio e rever situações injustas que afetam o povo. Por exemplo: somos proibidos de cobrar ICMS sobre petróleo na origem, diferente de todos os outros estados e suas riquezas. É um absurdo. Podemos securitizar (vender) a dívida estadual para obter novos R$ 60 bilhões, basta ter coragem de enfrentar os tubarões que são os grandes devedores.  

 

De que forma? 

Recentemente, Pezão aceitou pressão de Temer e abriu mão de cobrar a Lei Kandir, em pleno vigor, que compensa o Rio por perdas de arrecadação, e lá se foram outros R$ 60 bilhões. O estado precisa retomar a capacidade de investimento, parar de achincalhar o serviço público, realizar concursos e principalmente gerar empregos. Não tem porque o Rio andar de cabeça baixa. 

Outro problema que o estado tem enfrentado diz respeito à Segurança Pública. A intervenção militar é a saída para o Rio de Janeiro?  

Temer faz jogada eleitoral, política, com a vida das pessoas e atenta contra direitos das comunidades pobres. Prevenção e investigação devem ser prioridade. Precisamos de um plano estadual de segurança pública de verdade, com participação da população, controle público sobre as metas, objetivos mensuráveis, práticos. Mais que 90% dos crimes com morte não são esclarecidos nos Rio. Sem polícia técnica, bem treinada e paga, que sinta orgulho em garantir a lei e os direitos humanos continuaremos assistindo espetáculos caríssimos que não trazem resultados de longo prazo. 

Com 38 anos, o senhor é o pré-candidato mais jovem a disputar as eleições do governo do estado do Rio de Janeiro. Qual o diferencial que a sua pré-candidatura pode representar para o estado? 

O PCdoB quer apresentar um programa de desenvolvimento do Rio com foco no emprego e na garantia dos direitos sociais. Precisamos renovar a política e por isso lançamos a candidatura mais jovem. No entanto, não basta trocar as velhas caras por novas. Temos que mudar esse jeito de fazer política, escancarar a porta pro povo participar. 

Edição: Mariana Pitasse