Festival de Teatro

Artista Nena Inoue defende o teatro como resistência

Com 40 anos de carreira, a paranaense traz uma perspectiva crítica para palcos e ruas de Curitiba

Nena Inoue é responsável pela III Curitiba Mostra/Outras Leituras que tem foco na dramaturgia dos excluídos / Annelize Tozetto

A atriz, diretora e curadora paranaense Nena Inoue encontrou no teatro o fortalecimento e a resistência à conjuntura política atual. “Estamos andando de ré e a gente sabe o que vai acontecer, eu já vivi isso”, diz, referindo-se ao período de ditadura no Brasil.

Nena Inoue tem 40 anos de carreira e é responsável pela III Curitiba Mostra/Outras Leituras, com programação até 8 de abril, durante o tradicional Festival de Curitiba. A mostra apresenta teatro de rua e de palco, grafite, hip hop, artes visuais e musicais, com apresentações gratuitas e focadas na dramaturgia dos excluídos.

O III Curitiba Mostra/Outras Leituras também promove eventos paralelos, como o Curitiba Urge, Vox Ludens e o Cortejo Literário. Este último conta com a apresentação de jovens de bairros da periferia. “A molecada é parte da cena, é uma forma de incluir esses excluídos porque são crianças de bairro, são crianças pobres, muitas com risco social. Trazemos geograficamente para o centro da cidade, trabalhando com literatura com essas crianças, sensibilizando através da arte essa potência que eles têm para mostrar”, contextualiza Inoue.

Para ela, o teatro atinge e emociona vários públicos. “Eu estou fazendo minha resistência ali, com esse trabalho. Essa Mostra, esse teatro, com entrada franca, é para que as pessoas acessem esse conteúdo”, afirma.

Domínio Público

Outra peça do Festival de Teatro reúne quatro artistas que foram foco de debates em torno da censura e expressão artística. Maikon ficou conhecido como “o homem nu da bolha”, Renata como “a travesti que interpreta Jesus”, Wagner como “o homem nu do MAM” e Elisabete como “a mãe do MAM” (a mãe que permitiu que sua filha tocasse o tornozelo do homem nu). De acordo com os curadores Guilherme Weber e Márcio Abreu, “é uma peça criada para abordar a onda de conservadorismo e intolerância que assolou o Brasil no ano de 2017”.

 

Edição: Júlia Rohden