Alternativa

Jovem paranaense cria empresa só de mulheres para entrega via bicicleta

A Use Bike Courier busca combater o machismo e valorizar o trabalho de ciclistas em Londrina

Brasil de Fato | Londrina (PR)

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A ideia surgiu quando Priscila Johnson estava desempregada, em recuperação de acidente de trabalho sem carteira assinada / Pâmela Oliveira

Para resistir ao machismo sofrido diariamente por ciclistas, Priscila Johnson decidiu criar uma empresa de entregas de bicicleta formada apenas por mulheres, em Londrina, região Norte do Paraná. Um dos objetivos da Use Bike Courier é contribuir para que o mercado de trabalho se torne mais igualitário em questões de gênero e raça.

“Se outras mulheres se verem nesses espaços, elas também vão querer estar nesses espaços”, defende a empreendedora.

O serviço de entrega por bicicletas também pretende ser sustentável, evitando a emissão de mais poluentes e contribuindo para melhorar o trânsito.



Priscila ressalta que existe uma concepção machista de que as mulheres seriam mais fracas fisicamente. Antes de criar a Use Bike Courier, ela trabalhou como entregadora em outra empresa e muitas vezes preferiam ciclistas homens para as entregas em locais mais distantes. Segundo ela, como o valor das entregas era mensurado pela distância, sua renda sempre era mais baixa do que dos homens.

Como surgiu



A Use Bike Courier surgiu quando Johnson estava em recuperação de um acidente de trabalho como ciclista entregadora. Sem carteira assinada, ela foi impedida de acessar seus direitos básicos de trabalhadora, como o recolhimento do Fundo de Garantia (FGTS) durante o afastamento pelo INSS e a restituição dos valores gastos com tratamentos médicos.



Com o braço fraturado, Priscila passou a fazer parte dos 20,8% de mulheres jovens desempregadas no Brasil, segundo a Síntese de Indicadores Sociais (SIS).

Ela conta que para sobreviver à crise do desemprego, se inspirou na InfoPreta, uma empresa criada por Buh D’Angelo, em São Paulo, que conserta computadores de mulheres em situação de vulnerabilidade a preços acessíveis. “A Buh D’Angelo trabalha numa área majoritariamente masculina e ela fez acontecer. Se você procurar uma empresa de Bike Courier, você também verá que só tem homens nas fotos e nos vídeos”, conta.

 

Edição: Júlia Rohden