América Central

Morre impune o ex-ditador da Guatemala Efraín Ríos Montt

O general Ríos Montt faleceu neste domingo aos 91 anos; a ditadura do país é uma das mais violentas da América Latina

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Ríos Montt é acusado da morte de milhares de indígenas e camponeses na Guatemala, mas morre sem nunca haver recebido punição / elPeriódico

O general da reserva e ex-ditador José Efraín Ríos Montt, considerado um dos militares mais sanguinários da América Latina e que governou a Guatemala entre 23 de março de 1982 a 8 de agosto de 1983, depois de um golpe de Estado, morreu neste domingo (1), na Cidade da Guatemala, aos 91 anos.

O advogado da família, Luis Rosales, anuncio a morte da seguinte maneira: “Faleceu em sua casa, com o amor de sua família, com sua consciência sã, limpa, rodeado de muito amor, acometido pelas doenças que já sabemos”. O general morreu acometido por um infarto.

Em maio de 2013, Ríos Montt foi julgado pelo assassinato de 1.771 indígenas ixiles e maias, e condenado a 80 anos de prisão por genocídio e crimes de lesa humanidade. Dez dias depois, esta sentença foi anulada pela Corte de Constitucionalidade, máxima instância jurídica da Guatemala, que ordenou um novo julgamento. Os advogados de defesa alegaram um diagnóstico de demência senil e uma série de outras complicações médicas para tentar barrar um confronto judicial.

De acordo com levantamentos da Comissão de Esclarecimento Histórico, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), e do informe Guatemala, Nunca Mais, durante a ditadura de Ríos Montt foram cometidos massacres contra a população civil desarmada. Cerca de 10 mil guatemaltecos – a maioria indígenas – foram executados extrajudicialmente, e o número de refugiados foi de 100 mil. A ONU aponta ainda que 448 aldeias indígenas foram destruídas ao longo de 17 meses de ditadura.

A criação de forças paramilitares amparadas pelo Exército também foi uma marca do seu regime, atuando principalmente contra comunidades de camponeses e indígenas.

Golpes

Antes de chegar ao poder, Ríos Montt participou, em 1954, do golpe de Estado que derrubou o presidente nacionalista Jacobo Arbenz. A ação, orquestrada pela CIA – agência de inteligência dos EUA –, visava acabar com o projeto de reforma agrária em curso e que afetou diretamente a empresa norte-americana United Fruit, dona de plantações de banana no país.

O golpe de 1982, que leva Ríos Montt ao poder, se insere no contexto da Guerra Civil da Guatemala (1960-1996), em que o conflito se dava entre setores do Exército e guerrilhas marxistas. A participação estadunidense e de outros atores da comunidade internacional neste golpe também se fez presente, já que os Estados Unidos apoiavam grupos que combatiam os comunistas e os socialistas na América Latina. O período da Guerra Civil no país centro-americano deixou um saldo de 200 mil mortos, segundo a ONU e outros organismos internacionais.

*Com informações da teleSUR, do El País e da Folha de S. Paulo.

Edição: Vivian Fernandes