Fascismo

Editorial | Que tiros foram esses?

O atentado contra a caravana do Lula é um tiro contra a democracia, contra a liberdade de se debater política

Belo Horizonte (MG)

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Diante dos ataques, as forças conservadoras e a grande mídia (Rede Globo à frente) “soltam foguetes” aos tiros e chegam a culpar as vítimas / Latuff

Atirar é a ação de quem decide eliminar ou neutralizar outras pessoas inimigas, adversárias, concorrente ou que tem outra visão e opção de vida e de mundo. É a medida mais violenta e atenta contra o direito mais fundamental: a vida. 

O atentado contra a caravana do Lula, no último dia (27), no Paraná, onde foram disparados tiros em direção a um dos ônibus é um atentado não só contra Lula, militantes progressistas e jornalistas. É um tiro contra a democracia, contra a liberdade de se debater política e pensar o país e o mundo que se quer e pode ser construído.

Este atentado é a continuidade de um plano fascista para o país, onde as opiniões, individuais ou coletivas, e as divergências, não podem ser expressas de nenhuma forma. O recente assassinato de Marielle, vereadora do PSOL no RJ, e seu motorista Anderson é a expressão anterior deste fenômeno. A queda do avião do ministro do STF Teori Zavascki, tem indícios de ser também um passo deste mesmo plano. O fato é que este atentado contra a democracia, os direitos mais básicos e à soberania não iniciaram agora!

Os tiros continuam! Aqui em Minas Gerais, no dia 28, professores da rede estadual em greve pelo piso salarial, realizaram atos públicos pressionando o governo estadual para o atendimento da pauta. Em Igarapé, em menos de 10 minutos de ato público, a Polícia Militar do estado atacou os manifestantes. Vários deles tomaram tiros de bala de borracha e foram hospitalizados. A polícia sequer negociou com os manifestantes, impondo o poder da violência contra uma manifestação pacífica em defesa de direitos constitucionais.

Diante destes ataques, as forças conservadoras, partidos, lideranças de direita e a grande mídia (Rede Globo à frente), “soltam foguetes” aos tiros. Chegam a culpar as vítimas por terem sofrido os ataques, inocentando os agressores. Isso tem cheiro da ditadura militar no Brasil (um dos períodos mais sombrios de nossa história) e incita um gosto de mais pólvora em curto prazo.

Democracia popular contra agressões

A ação das forças de esquerda e organizações populares é o oposto do tiro da direita. A Frente Brasil Popular defende a liberdade e o direito de Lula ser candidato e chama todo o povo para pensar e construir com as próprias mãos o país que queremos por meio do Congresso do Povo. Coloca assim o debate político e o rumo do país na mão das pessoas que já constroem a nação. Abre espaço para as divergências e a construção conjunta dos rumos do Brasil. Aposta na organização, na consciência, nas lutas populares e nas eleições livres e realmente democráticas como caminho para o país sair da encruzilhada histórica que se encontra.

Não podemos aceitar mais os tiros contra a democracia, nossos direitos e nossa soberania. É preciso reforçar a luta por nossos sonhos!

Edição: Joana Tavares