Milicos

Artigo | Esporte manu militari

Conheça os militares que comandaram o futebol no Brasil

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Denunciados por escândalos de corrupção, eles defendem a "moralidade" e a "ordem" no país / Reprodução

Domingo, 1º de abril, foi aniversário do Golpe Militar de 1964. A historinha contada naquela fatídica data foi que os militares deram o golpe para restabelecer a moralidade e a ordem no país. Veja, então, três exemplos do legado “moralizador” dos milicos no esporte nacional.

1) O general da reserva do exército, Augusto Heleno, é amigo do ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, preso em outubro por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, enriquecimento ilícito e corrupção ativa. Crítico da corrupção, defensor do golpe de 1964 e da intervenção no Rio, Heleno foi alçado por Nuzman ao posto de diretor de comunicação e educação corporativa do COB (ganhos: R$ 43 mil/mês). Desde novembro, quando largou o cargo, espera-se que o verde-oliva diga algo sobre a prisão de seu antigo chefe.

2) José Maria Marin cresceu no berço ditatorial. Vereador paulistano nos anos 60, deputado federal pela ARENA (partido da ditadura) nos anos 70, vice-governador paulista na gestão Maluf, presidente da Federação Paulista de Futebol nos anos 80 e presidente da CBF entre 2012 e 2015, Marin está preso no escândalo do Fifagate.

3) Coronel da PM, José Guilherme Ferreira foi indicado pela ditadura, em 1966, para ser presidente da Federação Mineira de Futebol. Saiu em 1980, quando o filho, Elmer Guilherme, elegeu-se vice-presidente – e presidente em 1987. Depois que o pai abandonou o cargo por má administração de recursos, a CPI do Futebol, em 2001, acusou Elmer, filho do coronel, de formação de quadrilha, apropriação indébita e falsificação de documentos. Sobrinho de Elmer e neto do Coronel José Guilherme, o deputado federal golpista Marcelo Aro (PHS) é, desde 2015, diretor de Ética e Transparência da CBF, onde ganha R$ 50 mil/mês. Uma ação de Aro no STF suspendeu medida da Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte que só autorizava a participação de clubes em competições caso mantivessem os salários de atletas e funcionários em dia. Eduardo Cunha (MDB), agora na prisão, é cidadão honorário de BH por culpa de Marcelo, neto do coronel.

Vemos que a ditadura militar, com seus filhos e netos ainda na ativa, não se fez só de sequestro, tortura, estupro, morte, ocultação de cadáver, corrupção, desigualdade social e estádios faraônicos. Lugar de milico é ou não é no quartel?

Edição: Wallace Oliveira