Intolerância

Justiça julga recurso da Rede Record que impede direito de resposta de religiões afro

Em 2015, decisão determinou que canal deve destinar 16 horas na grade às religiões difamadas; emissora recorreu

Brasil de Fato| São Paulo (SP) |

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Entidades religiosas e movimentos de matriz africana pressionam para que a decisão de 2015 favorável aos religiosos seja cumprida
Entidades religiosas e movimentos de matriz africana pressionam para que a decisão de 2015 favorável aos religiosos seja cumprida - Tânia Rego / Agência Brasil

Pela terceira vez desde outubro do ano passado, as religiões de matriz africana buscam garantir que a Rede Record cumpra a sentença que assegurou a veiculação de 16 horas de direito de resposta na grade de programação da emissora. Isso porque o Tribunal Regional Federal (TRF) vai julgar, na próxima quinta-feira, dia 5 de abril, o recurso apresentado pela emissora, cujo alto escalão é formado por líderes da Igreja Universal do Reino de Deus. Esse julgamento já foi adiado duas vezes.

O advogado Hédio Silva Júnior responsável pela defesa do direito de resposta explica que discurso de ódio contido em alguns programas da emissora leva à violência física e à proliferação de episódios como a tortura de sacerdotes, a profanação de templos e as agressões sofridas por praticantes do candomblé e umbanda. Ele se diz otimista com o resultado do julgamento desta quinta-feira.

"Nós estamos bastante otimistas em relação ao julgamento de amanhã, no sentido de que o resultado mantenha a sentença de primeira instância assegurando às religiões afrobrasileiras de terem o direito de resposta em razão das ofensas cotidianamente praticadas pela rede Record de televisão", afirma.

A condenação ocorreu em 2015 quando o Ministério Público Federal atendeu o pedido de ação movida em 2004 pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo, juntamente com o Centro de Estudos das Relações de Trabalho e da Desigualdade (CEERT) e pelo Instituto Nacional de Tradição e Cultura Afro Brasileira (Intercab). 

Para a sacerdotisa do candomblé, Mãe Graça Ty Oyá, do Ilê Axé Oyá Igbale localizado em Santo André, essa é uma vitória inédita e importante para os povos de santo que são constantemente discriminados. 

Graça já imagina que tipo de conteúdo gostaria de ver veiculado na televisão. Para ela, seria importante explicar os dogmas negativos em torno da religião, frequentemente associada com algo do mal."Então eu gostaria que fosse um pouquinho mais a fundo que mostrasse e explicasse o que é a imolação, porque a gente faz a imolação, que para eles é o sacrifício e matança, porque se faz a oferenda, de que forma é feita e do que é feita para que tenha um entendimento melhor, eu gostaria que isso fosse mostrado na TV", opina.

A sacerdotisa considera que a possível vitória será uma reparação à violação de direitos sofrida pelos povos de santo.  O julgamento ocorre nesta quinta-feira, em São Paulo, a partir das 14 horas no Tribunal Regional  Federal, na avenida Paulista.

O Brasil de Fato entrou em contato com a rede Record, questionando sobre a condenação na Justiça e o cumprimento do direito de resposta, no entanto a emissora não respondeu até a conclusão desta reportagem.

 

Edição: Juca Guimarães