Economia

Famílias de baixa renda são as mais prejudicadas com o aumento do gás

Desde quinta-feira (5), o gás de cozinha está 4,4% mais barato para as distribuidoras.

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Fogão à lenha na casa de Eulina em Nova Iguaçu / Foto: reprodução

Uma pesquisa realizada pelo Datafolha no final do último ano apontou que dois em cada três brasileiros avaliam que o gás de cozinha compromete muito o orçamento familiar. Em 2017, o acúmulo de aumento sobre o botijão chegou a 16% para o consumidor final. 

 

A moradora do bairro de Rodilândia, em Nova Iguaçu, Eulina Carvalho, sabe bem o impacto dos últimos aumentos na economia doméstica da família. A educadora trabalha como voluntária e o marido, pedreiro, não possui um emprego fixo. Ela relata que devido ao orçamento da família ser baixo não teve escolha, a não ser optar por um fogão à lenha para economizar o gás de cozinha. 

 

“A gente entrou num consenso, vamos fazer um fogo de lenha no quintal, e o meu esposo fez um fogão de lenha e a gente cozinha as coisas assim. O feijão, aquelas carnes que sabemos que não são macias, mas fazer o quê? Tem sido a nossa saída, o fogão à lenha”, conta a educadora. 

 

A situação vivida por Eulina é a mesma de muitos brasileiros. A ONG Ação da Cidadania alertou no ano passado sobre o retorno do Brasil ao Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU). O mapa indica os países onde parte significativa da população ingere uma quantidade diária de calorias inferior ao recomendado. Segundo a instituição, tudo indica que neste ano o país ingressará novamente nas estatísticas da fome mundial. 

 

O diretor executivo da Ação da Cidadania, Kiko Afonso, destaca que a condição da pobreza no Nordeste é muito preocupante, mas que o estado do Rio de Janeiro tem sido o que impressiona pelo retrocesso econômico que gerou milhões de desempregados. Segundo ele, o aumento de insumos em gastos essenciais impacta principalmente a população de baixa renda do país. 

 

“O aumento do gás de cozinha, energia elétrica, o aumento com qualquer insumo básico dos alimentos, impacta diretamente nessas famílias que já não tem condição de viver com os valores anteriores, ainda mais com valores como esses que tem mudado com tanta frequência, como o gás de cozinha”, afirma Afonso. 

 

Neste ano, a Petrobras anunciou que a política de reajuste do preço do gás mudou para cada três meses, em vez de todo o mês como ocorreu de junho a dezembro do último ano. Desde quinta-feira (5), o gás de cozinha está 4,4% mais barato para as distribuidoras.

 

Edição: Mariana Pitasse