Luta

Editorial | A história está só começando

Não é a primeira vez que o Brasil se vê em um cerco provocado por forças conservadoras

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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"Em todas as situações anteriores, o povo não teve outra saída senão se organizar e construir saídas coletivas para superar a realidade" / Ricardo Stuckert

Mais um ataque à democracia brasileira. É isso que significa a prisão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, votado na quarta (4) pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Um julgamento que segue com o objetivo do golpe que destituiu Dilma Rousseff a fim de recolocar (e manter) forças conservadoras, elitistas e anti-povo à frente do governo do Brasil.

Como resultado até agora, foram dois anos de corte de investimentos, de direitos trabalhistas destruídos e a da Constituição estraçalhada. E o povo brasileiro sofre com isso na pele: o custo de vida está mais alto, o desemprego batendo recordes, as contas no fim do mês não fecham… A vida realmente piorou para quem depende só do seu trabalho para sobreviver.

O cerco parece se fechar cada dia mais quando se olha ao redor e vê assassinatos políticos e perseguições, quando se vê milicos velhos e impunes fazerem ameaças públicas de intervenção, caso a decisão do STF fosse a favor do ex-presidente.

A realidade é dura mesmo e o sentimento de impotência tende a prevalecer. O que fazer diante disso tudo? É uma pergunta que vem logo à cabeça, sobretudo daqueles que já entenderam que vivemos em uma sociedade de classes, em que poucas famílias – donas de empresas e bancos – se beneficiam do trabalho de milhões.

É importante destacar que não é a primeira vez que o Brasil se vê em um cerco provocado por forças conservadoras. Para citar a história recente, foi assim na ditadura e nos anos 1990 com FHC. Em todas as situações, o povo não teve outra saída senão se organizar e construir saídas coletivas para superar a realidade. Muita gente se lembra das Diretas Já, nos anos 1980, e das marchas gigantes que cortaram o país em 1997, por um projeto popular para o Brasil.

A ideia de que “juntos somos mais fortes” tem que ser fortalecida neste momento. O Congresso do Povo, organizado pela Frente Brasil Popular, é uma boa oportunidade para isso, uma vez que tem a proposta de construir coletivos em cada cidade do Brasil, nos bairros, na periferia, na roça. Coletivos que terão a missão de levantar os reais problemas que as pessoas vivenciam em seu dia-a-dia. É também um espaço de estudo, de encontro, de achar esperança no olhar do outro, de ver na angústia uma possibilidade de superação.

A esperança não vem do além. Ela surge quando há um projeto de um país melhor. A tarefa é construir esse projeto. Que o Congresso do Povo, que acontece em julho deste ano, seja grande e capaz de apontar uma saída que vá para além das eleições. A história brasileira, contada pelos trabalhadores, ainda está só começando. Ainda tem muita luta pela frente.

Edição: Joana Tavares