Dentro da lei

Lula não é considerado foragido da Justiça, informa Gleisi Hoffmann

Ex-presidente não exerceu "prazo de oportunidade"; assessoria de Moro confirma que não houve descumprimento judicial

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Lula agradece solidariedade popular no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC / Ricardo Stuckert

A presidenta do PT, Gleise Hoffmann, explicou na tarde desta sexta-feira (6) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é considerado foragido da Justiça. 

“Não há nenhum descumprimento da sentença do [juiz Sérgio] Moro. Lula tinha a opção de ir até Curitiba. Não exerceu. Está aqui no sindicato, um lugar público. O mundo sabe que ele está aqui e aqui ele permanecerá. Importante deixar claro que ele não descumpriu, ele optou por não exercer essa opção”, afirmou a presidenta do PT em coletiva à imprensa por volta das 17h30 na sede do Sindicato dos Metalúrgicos.

A assessoria da 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, na qual despacha o juiz Sérgio Moro, informou aos jornalistas que o horário estipulado para apresentação foi um “prazo de oportunidade”. Portanto, não houve descumprimento judicial.

Próximos passos

Em depoimento exclusivo ao Brasil de Fato, o ex-ministro da Justiça, Eugênio Aragão, afirmou que, diante do opção exercida por Lula, a Polícia Federal está "aguardando o momento próprio de fazer acatar a decisão do juiz Moro. Eu acredito que vão ter muito cuidado nisso, são pessoas experientes e não vão fazer nenhum ato impensado".

O ex-ministro acrescentou que o apoio popular recebido pelo ex-presidente "é um recado muito claro para o Judiciário". Para ele, o "ato de Moro foi à margem da legalidade. Sequer haviam sido comunicado oficialmente a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Nós estamos diante de uma atuação coordenada fora da lei de várias instâncias do Judiciário, que reflete a completa anulação da democracia e de um Judiciário que não presta contas a ninguém e faz sua politica por baixo das togas".

Aragão ainda lembra que Marco Aurélio Mello, ministro do STF, deverá colocar em discussão a questão da prisão após condenação em segunda instancia na próxima semana. "Se isso for votado, pode haver uma modificação do cenário. Até lá, estamos nesse limbo jurídico de toda a ilegalidade promovida pelo Sérgio Moro. Não há instância para recorrermos", completou.

Edição: Thalles Gomes