Lula Livre

Militante foi atingida no pé e no nariz por bomba atirada de dentro da PF

Vanda de Assis terá que fazer uma cirurgia reparatória. Havia crianças e idosos no acampamento

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Pelo menos 16 pessoas foram atingidas por estilhaços de bombas no sábado (7) à noite, em Curitiba. / Reprodução

A militante Vanda de Assis estava participando da manifestação pacífica no acampamento Lula Livre, em frente à sede da Polícia Federal, em Curitiba (PR) quando foi atingida por estilhaços de uma bomba.

"Era por volta das dez e pouco quando o helicóptero estava se aproximando do prédio e todo mundo estava olhando para cima. Tinha mulheres, crianças e idosos no local, todos em paz. Minutos antes estava todo mundo feliz e cantando. Então veio um explosão forte e todos correram. Depois foram outras explosões. Eu vi que começou a sair muito sangue do meu nariz, muito mesmo. Olhei para o meu pé é dava para ver um pedaço de carne moída pelo buraco no tênis", disse Vanda à Radio Brasil de Fato.

Vanda foi socorrida por amigos e levada para o Hospital Universitário Cajuru, onde chegou por volta das 23h, mas só foi atendida depois das 5h. "Os estilhaços da bomba me atingiram no pé e no nariz. Foi mais grave do que imaginei na hora e vou ter que fazer uma cirurgia plástica reparatória", contou.

O bomba foi atirada de dentro do pátio da Polícia Federal.  Essa informação foi confirmada por um oficial da Polícia Militar que estava organizando a segurança no local.

Pelo menos 16 pessoas foram atingidas por estilhaços de bombas no sábado (7) à noite, em Curitiba. "Não dava nem para acreditar que alguém teria coragem para jogar uma bomba tão potente no meio das pessoas", disse Vanda.

Bala de borracha

A professora Marlei Carvalho Fernandes, vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE) e integrante do Sindicato dos trabalhadores da educação pública do Paraná (APP Sindicato), está entre as pessoas feridas por tiro de bala de borracha na noite de sábado.

Ferida no joelho por um projétil de borracha e atingida também pelo gás lacrimogêneo, a professora precisou de ajuda para sair do local.  Ela chegou a ir ao hospital e a levar pontos no joelho.

"É tudo muito violento, muito rápido, impactante, mas cada vez mais nós vamos juntando e seguiremos a vigília até que Lula esteja livre", garante a professora.

Abril de 2015

O ataque trouxe a memória do massacre de 29 de abril de 2015, quando a Polícia Militar do Paraná reprimiu uma manifestação de mais de 10 mil pessoas, em especial servidores da educação pública. 

"Foram mais de 4 horas de bomba e confrontação com a polícia. Assim mesmo, o inquérito de massacre foi arquivado pela injustiça paranaense". Assim como aconteceu no 29 de abril, Marlei conta que uma professora teve que ir para a sala de cirurgia após a repressão deste sábado, para tirar estilhaços de  bomba das pernas.

 

Edição: Juca Guimarães