Futuro

"A resistência deve ser construída todo dia", conclama João Paulo Rodrigues

Para o dirigente nacional do MST, após a prisão de Lula, a esquerda deve se unir em defesa da democracia

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Para João Paulo, esse é um momento importante de unidade do povo brasileiro / Kamilla Rodrigues

A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no último sábado (7), mobilizou e uniu os diversos setores da esquerda no Brasil em torno de uma só causa: a democracia. Esta é a opinião de João Paulo Rodrigues, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O dirigente foi um dos convidados do bate-papo "Brasil sob golpe: Lula preso, e agora?", realizado no estúdio da Rádio Brasil de Fato, em São Paulo (SP).

João Paulo destacou que esse é um momento importante de unidade do povo brasileiro, já que a batalha é "diferenciada" e exige "resistência política" maior do que a dos últimos dias. Ele aponta que, desde a prisão do ex-presidente, aumentaram as mobilizações pela liberdade de Lula, inclusive a nível internacional.

Para Rodrigues, a militância deve se organizar em quatro frentes de atuação. 

"Eu acredito na força de quatro frentes de atuação sobre o questionamento do quê fazer a partir de agora. Nós vamos ter que pensar muito rápido. Nesse sentido, a frente número um é toda atenção voltada agora para Curitiba e para a repressão que aconteceu por lá, além da solidariedade ao ex-presidente Lula. Nós temos que fazer uma campanha grande de concentrações diárias nacionais e internacionais frente àquela Superintendência. A ideia é fazer uma escala para que, cada dia, um estado, um partido, uma organização possa se unir em Curitiba. Também gostei muito da ideia que surgiu de mandarmos cartas ao ex-presidente Lula, fazer postal, carta registrada.

A segunda frente é Brasília. Nós vamos ter dois julgamentos importantes na quarta-feira e não dá para criar expectativa de que os problemas serão resolvidos nesse dia com o possível julgamento da ADC [Ação Declaratória de Constitucionalidade] ou um habeas corpus. Nós temos que pressionar o STF [Supremo Tribunal Federal] e Cármen Lúcia [presidenta do STF] para pautar as ADCs, porque seria uma vitória importante não só para o ex-presidente Lula.

A terceira frente são as mobilizações. Não precisamos nos preocupar em ter o dia D de mobilização. A partir de agora, todo dia nós temos que construir algum tipo de conflito, que não tem nada a ver com violência, mas um conflito social que é importante de ser pautado. O MST começa no dia 10 [hoje] uma jornada de ocupação de pelo menos 50 latifúndios, com as pautas 'Viva Marielle', 'Lula Livre' e 'Pelo Fim do Latifúndio'.

E por último, eu estou gostando muito da ofensiva a nível internacional. Nós temos que empentelhar as embaixadas, criar um clima a nível internacional para constranger os vira-latas brasileiros pelo que eles fizeram. Precisamos de denúncias internacionais. Enfim, acredito que existam quatro frentes de atuações que teremos que dar muita atenção", sintetizou.

Confira a íntegra da entrevista:

Jornada de lutas

O MST iniciou, nesta terça-feira (10), a Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária de 2018. O combate à criminalização dos movimentos sociais e a defesa do ex-presidente Lula estão entre as reivindicações prioritárias deste ano.

Edição: Thalles Gomes