Lula Livre

"Vamos obstruir tudo que será votado na Câmara”, afirma Margarida Salomão

A prisão de Lula faz parte do golpe institucional, ocorrido em 2016, contra a ex-presidente Dilma Rousseff.

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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“Impediremos a votação de tudo. Não vamos deixar as pessoas pensarem que a vida está normal”, explicou. / Câmara dos Deputados

“Nós temos que estar preparados para fazer uma briga longa e dura”. Essa é a avaliação da deputada federal Margarida Salomão (PT-MG), em entrevista concedida à Rádio Brasil de Fato, nesta quarta-feira (11). A parlamentar salientou que a prisão de Lula faz parte do golpe institucional ocorrido em 2016, contra a ex-presidente Dilma Rousseff. “O golpe vem cumprindo sua agenda, que, em um primeiro momento, não estava visível. Mesmo que haja essas eleições, elas já estão contaminadas pelas dificuldades com o impedimento da candidatura do Lula”, comentou.

Margarida Salomão afirmou que a bancada do PT na Câmara dos Deputados pretender obstruir todas as votações ocorridas nesta semana, como forma de atuação política. “Impediremos a votação de tudo. Não vamos deixar as pessoas pensarem que a vida está normal”, explicou.

Veja os principais trechos da entrevista com a deputada federal Margaria Salomão:

 

Rádio Brasil de Fato: Porque mudou seu nome parlamentar? Como isso aconteceu?

Margarida Salomão: Olha, na verdade  foi uma decisão da bancada. Nós estamos realizando o que o presidente nos disse. Ele disse: “Se eu estiver preso, eu vou fazer a luta pela sua luta’’. “Se eu não puder caminhar, vocês serão minhas pernas”. Nós não concordamos que um dos maiores líderes do mundo esteja preso sendo inocente. Ele foi condenado de uma maneira apressada, precipitada, sem provas, e é por isso que nós todos somos Lula, e é também por isso que eu carrego seu nome no meu nome parlamentar.

Quais serão os próximos passos da bancada do PT na Câmara dos Deputados?

Essa semana nós vamos fazer a obstrução política. Impediremos a votação de tudo. Não vamos deixar as pessoas pensarem que a vida está normal. O golpe segue a cada dia, agora com a prisão do Lula. Para que isso fique visível no ambiente politico, vamos praticar a obstrução semana inteira. A resistência estará na cena política pela liberdade de Lula.

Qual deve ser o foco da mobilização nas ruas e os passos centrais da luta?

Nós temos que estar preparados para fazer uma briga longa e dura. O golpe vem cumprindo sua agenda, que em um primeiro momento não estava visível. Mesmo que haja essas eleições, elas já estão contaminadas pelas dificuldades com o impedimento da candidatura do Lula. Precisamos nos fortalecer, e é nesse sentido que as frentes estão se mobilizando. A luta precisa acontecer nas ruas, nas instituições, para que nós possamos ter Lula livre. A prisão dele é uma afronta e devemos lutar para que o golpe chegue ao fim, para que o país não perca mais suas riquezas, suas universidades públicas. É uma luta grande, mas vamos resistir. O povo brasileiro manifesta a cada momento o desejo de lutar, seja acampando em Curitiba (PR), escrevendo cartas, estando em São Bernardo. O povo está mobilizado e não vai se conformar com a violência que nós sofremos.

Edição: Juca Guimarães