Acampamento

Delegações internacionais prestam solidariedade a Lula em Curitiba

Grupos da Argentina e da Noruega participam das ações no entorno da PF e falam sobre importância do apoio internacional

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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O Comitê Norueguês de Solidariedade à América Latina é um dos coletivos estrangeiros que participam do Acampamento Lula Livre / Eduardo Matysiak/Agência PT

Além de receber militantes de diversos estados do Brasil, o Acampamento Lula Livre em Curitiba (PR) também é palco do acolhimento da solidariedade internacional ao ex-presidente. Entre os apoios está o de uma delegação da Argentina, que chegou nesta terça-feira (17) à capital paranaense, onde ocorre a vigília pela liberdade de Luiz Inácio Lula da Silva desde o dia de sua prisão, 7 de abril, em frente à sede da Polícia Federal.

Sol de la Torre, integrante do movimento argentino Pátria Grande, afirma que essas manifestações vão além de pedir a liberdade do ex-presidente e se tornam atos pela defesa da democracia. A militante acredita ainda que o momento pelo qual passa o Brasil compõe um cenário de implantação de um projeto de dominação dos Estados Unidos nos países latino-americanos.

"Estamos vivendo uma ofensiva imperialista sobre todo o nosso continente. O que está acontecendo no Brasil prejudica e afeta a todos nós, latino-americanos. 00:44 O que estamos vendo são as políticas do governo argentino, que respondem diretamente aos interesses ianques, assim como as do governo ilegítimo de Temer. A prisão de Lula, a militarização da fronteira mexicana, o processo de paz que se encontra parado na Colômbia, fazem parte de políticas de perseguição histórica", analisa.

A delegação argentina é composta por membros de movimentos populares, pela deputada do Parlamento do Mercosul Checha Merchán e por José Schulman, da Liga Argentina pelos Direitos Humanos.

Europa

Outro grupo estrangeiro que compareceu ao Acampamento Lula Livre foi o de representantes do Comitê Norueguês de Solidariedade à América Latina (LAG). O coletivo está no Brasil há dois meses e chegou a Curitiba na segunda-feira (16).

A ativista norueguesa Guro Stafseth explica que o comitê realiza um trabalho de comunicação alternativa, com o envio de notícias sobre a situação política do Brasil e de outras nações latino-americanas para o continente europeu.

"Para nós, na Noruega, essas são coisas importantes – o direito ao voto, o direito à liberdade de expressão e o apoio dos políticos ao povo. É por isso que estamos aqui, para expressar nossa solidariedade ao povo brasileiro e a Lula e, também, para mostrar às pessoas da Noruega o que está acontecendo", conta. 

Para Guro, o jornalismo na Noruega consegue ser mais plural na cobertura da prisão do ex-presidente brasileiro, e isso é fruto de uma legislação que regula e proíbe concentração de mídia no país, ampliando as vozes nos meios de comunicação.

"Nós temos jornais de esquerda que têm uma cobertura mais pela perspectiva democrática. Mas também temos jornais que dizem: 'Lula está preso, ele é muito corrupto'. Só que eles não têm fontes e fatos para fundamentar isso."

Além de delegações, personalidades estrangeiras também estiveram no acampamento durante a vigília, que completa dez dias nesta terça-feira (17). Um deles é o artista equatoriano Javier Guerrero, que esteve na vigília no sábado (14) e trabalhou em um mosaico do ex-presidente. 

Já o argentino Adolfo Pérez Esquivel, que recebeu o prêmio Nobel da Paz em 1980, estará em Curitiba nesta quarta-feira (17) e pretende visitar Lula na sede da Polícia Federal.

Edição: Vivian Fernandes