Imparcialidade

Opinião | Rede Globo: 53 anos forjando narrativas e promovendo golpes

Desde 2013, a Globo mobilizou o público em torno do discurso único da 'crise' no Brasil

Recife (PE)

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Atos em todo o Brasil denunciaram a tentativa de criminalização de Lula no último dia 17. / Jamile Araújo

Na véspera do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula, no Supremo Tribunal Federal (STF), o editor e apresentador do Jornal Nacional da TV Globo, William Bonner, encerrou a edição lendo dois tuítes do general Villas Bôas, comandante do Exército Brasileiro, em que repudia a “impunidade” e sinaliza uma intervenção militar, como ameaça aos ministros do STF.

Destacando estas mensagens no seu principal telejornal, de maior audiência, a Globo, a mesma criada com o apoio da ditadura militar de 1964, agora usa as Forças Armadas para ameaçar novamente a democracia.

Na mesma edição do JN, foram dedicados 20 minutos a uma reportagem sobre o julgamento do pedido de habeas corpus de Lula. A reportagem traz apenas a posição dos ministros favoráveis à prisão e para finalizar, Bonner cita a carta da Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, enviada aos ministros, pedindo que seja mantida a decisão da prisão em segunda instância. 

Os laços entre a Rede Globo – e também do seu fundador, o jornalista Roberto Marinho, e a ditadura civil militar estão diretamente ligados com os benefícios rendidos ao grupo e a família Marinho. O apoio ao regime e a censura aos movimentos pró democracia nos noticiários do grupo eram explícitos. Em 1984, a Globo foi omissa na cobertura das Diretas Já. Nas Eleições de 1989, primeira pós redemocratização, editou o último debate entre os candidatos Lula e Fernando Collor de Melo, favorecendo o último.

Nos anos 1990, as Organizações Globo tiveram problemas financeiros que foram “aliviados” pelo Estado, mesmo sendo uma empresa privada, com concessões públicas de Rádio e TV. Na época, a Globo utilizou-se de influência no Congresso para mudar um artigo da Constituição Federal, permitindo a participação de 30% de capital estrangeiro nas empresas de mídia brasileiras. Em 2002, o Governo Federal ofereceu ajuda de R$ 280 milhões à Globo, financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 

O impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff resultou de um golpe fomentado pela elite oligárquica e conservadora contra o Partido dos Trabalhadores (PT), onde a mídia corporativa desempenhou papel determinante ao manipular a opinião pública. Desde 2013, a Globo mobilizou o público em torno do discurso único da “crise” no Brasil e de vazamentos das investigações. Seus veículos de comunicação, como O Globo e o Jornal Nacional, demonizaram e deslegitimaram, sistematicamente, a então presidenta Dilma, o ex-presidente Lula e o PT, em suas reportagens e editoriais ao associá-los à corrupção disseminada e a culpá-los pela recessão econômica. Ainda que de forma não declarada, a Globo atuou diretamente na construção da narrativa que culminou no golpe de 2016. 

*Rosa Sampaio é jornalista do Centro de Cultura Luiz Freire e integrante do Fórum Pernambucano de Comunicação (Fopecom).

Edição: Catarina de Angola