MOBILIZAÇÃO

Editorial | Organização popular em defesa da democracia

Congresso do Povo é uma iniciativa fundamental para discussão da realidade e reflexão coletiva de que caminhos seguir.

Recife (PE)

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O congresso do povo tem se multiplicado nos estados, ouvindo e discutindo as demandas que a sociedade brasileira tem colocado. / PH Reinaux

No último dia 17 de abril, chegamos ao 2º aniversário do impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Na realidade, como todo o planeta já percebeu, a saída da presidenta nada mais foi do que um golpe. Mas enganou-se quem achou naquele momento que tal golpe visava apenas alvejar a Dilma ou até mesmo o Partido dos Trabalhadores (PT), que ocupava a presidência desde 2003. Tal fissura na jovem democracia brasileira visava atingir, na realidade, o povo brasileiro e tudo que conquistamos com tanta luta nos últimos anos.

Dentro deste contexto, vale ressaltar que a derrubada da presidenta Dilma foi apenas o primeiro passo aparente de um grande processo. E têm sido muitas as pancadas ao longo deste período. No cenário internacional, por exemplo, deixamos de ocupar um lugar de destaque, alcançado desde o Governo de Lula, e passamos a ser motivo de piada. E no cenário nacional são incontáveis os prejuízos impostos ao povo brasileiro. Sem muita dificuldade, é possível encontrar retrocessos em áreas como saúde, educação, emprego, habitação, renda, entre tantos outros.

O grande problema é que a elite deste país percebeu que se dependesse de voto, não voltaria a ocupar a presidência do Brasil nem tão cedo. Afinal, possuem um programa político que o povo aprendeu a rejeitar. Quem quer mais desemprego? Quem quer fechamento de serviços de saúde ou de escolas? Certamente não somos nós. Então, encontraram o caminho do golpe para pôr em prática os seus planos. Por último, inventaram até uma Intervenção Militar no Rio de Janeiro que não dá resposta para nada.

Porém, apesar deste difícil cenário, com algumas derrotas que nos foram impostas, o lado de lá não pode tudo. Isso fica claro quando não conseguem aprovar a Reforma da Previdência, que vinha para acabar com a aposentadoria do povo brasileiro.

Outro exemplo vem com esta prisão arbitrária e política do presidente Lula. Quanto mais o lado de lá ataca com mentiras e calúnias, mais o povo brasileiro quer votar em Lula. É o que mostram as pesquisas eleitorais mesmo após a prisão. Um destas pesquisas, inclusive, mostrou um resultado que chama a atenção: 73% da população brasileira sabe que os poderosos estão querendo tirar o Lula das eleições.

Ao que parece, o tiro deles saiu pela culatra. Esperavam tristeza de nosso lado, mas estão vendo ânimo e disposição para seguir na luta contra o golpe e, agora, em defesa de Lula livre. Esperavam desmobilização e estão vendo o povo se organizando em defesa da Democracia.

Se o lado de lá tem suas armas, nós temos a nossa. E ela é a organização popular. Mais do que nunca é preciso que fortaleçamos nossas organizações, como movimentos, sindicatos e associações de bairro. Mas, dada a força do lado de lá, precisamos estar juntos. E é nesse caminho que temos a iniciativa do Congresso do Povo. É fundamental unir o povo para discutir a realidade que nos atinge e, principalmente, discutir o que podemos fazer para mudar esta realidade. O lado de lá acredita que já nos derrotou. Mas nós mostraremos que a partida está apenas começando e que estamos em campo para ganhar.

Edição: Catarina de Angola