Solidariedade

Lula recebe mais de 10 mil cartas de dentro e fora do Brasil

Os envelopes estão repletos de mensagens de solidariedade, apoio e resistência

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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O endereço para envio será centralizado no Instituto Lula / Ricardo Stuckert

Elas chegam de diversas partes do mundo. Trazem mensagens de solidariedade, resistência e gratidão. Já são mais de dez mil endereçadas a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR), que já não dá conta de receber tantas cartas. A partir de agora, o envio deve ser centralizado no Instituto Lula, em São Paulo, onde o ex-presidente confia que serão recebidas.

O Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, deixou uma das cartas que melhor retrata o porquê das caixas dos correios da Polícia Federal ficarem abarrotadas. Uma vez que, o ex-presidente, ao chegar ao Poder, foi o primeiro chefe de Estado a receber os catadores no Palácio do Planalto.

Em gratidão, os catadores deixaram uma mensagem ao Lula que representa a todo povo brasileiro:

"Presidente, todos os dias estaremos presos aqui, a poucos metros do senhor, dando bom dia e boa noite, junto com os outros lutadores sociais que por aqui permanecem. Jamais abandonaremos quem nunca nos abandonou" - Escrevem os catadores.

Leonardo Boff, expoente da Teologia da Libertação, amigo de longa data e de muitas lutas, deixou um recado carregado de fé. 

"Querido amigo irmão Lula, esse é o salmo da consolação. O senhor é meu pastor e nada me faltará. O povo e Deus irão libertá-lo".

Boff também teve seu acesso a Lula negado. O isolamento e a restrição a visitas, faz com que as cartas se tornem o único meio de comunicação e solidariedade ao ex-presidente. 

Privado de responder pessoalmente as carinhosas mensagens que se acumulam. Em seu sexto dia de confinamento, Lula enviou através da família o aviso de que lia o material e com ele se emocionava.  

Da Noruega chegam votos de que Lula seja libertado e possa receber, em Oslo, o prêmio por sua contribuição histórica ao combate à miséria.

"Fé em Deus que o senhor vai sair dessa prisão e ainda vai receber o Nobel da Paz em Oslo, no qual estarei presente" disse Carlinda, brasileira que vive na Noruega há mais de dez anos e veio ao Brasil para prestar apoio no Acampamento Lula Livre, em Curitiba.  

Em São Bernardo do Campo, cidade em que Luiz Inácio se tornou Lula, através do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, chegam relatos dos que acompanharam os dias que precederam a prisão de Lula e que por ele estão dispostos a manter a resistência.

"Toda aquela gente sitiando o entorno do sindicato com disposição para mover céus e terras pela sua liberdade… Apesar de tê-lo em confinamento forçado, as pessoas têm saído de trás das armaduras da inércia para compreender que a ação desleal e golpista afetará toda a classe trabalhadora". Escreve Iara Bento ao ex-presidente.

Emídio Souza, ex-prefeito de Osasco e membro da Executiva Nacional do PT, é um dos incubidos da missão de receber as mensagens de carinho.

"Me ver naquele mar de cartas foi como sentir um pouco do imenso carinho do povo brasileiro por Lula e da sua solidariedade diante de uma condenação injusta e sem provas" descreve a emoção de se deparar com mais de dez mil correspondências.

A partir de agora, o envio deve ser centralizado no endereço da Sede do Instituto Lula, na capital paulista: Rua Pouso Alegre, 21 - Ipiranga, São Paulo.

 

*Com informações da CUT

Edição: Katarine Flor