PETRÓLEO

Petroleiros farão ato no Rio nesta quinta para denunciar desmonte da Petrobras

A manifestação acontece no dia em que a Petrobras vai nomear ex-executivo da Shell para o conselho administrativo

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Ato da FUP e movimentos populares no fim do ano passado em frente à sede da Petrobras, no centro do Rio / Levante Popular da Juventude

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) em conjunto com os movimentos populares que compõem a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo vão realizar um ato nesta quinta-feira (26) em protesto contra o processo de desmonte e privatização da Petrobras e de outras empresas públicas. A concentração está marcada para às 11h, na Avenida Rio Branco, na saída da estação Carioca do metrô, no Centro do Rio de Janeiro.

A manifestação acontecerá no mesmo dia em que empresa elegerá os membros do conselho administrativo, o espaço mais importante de deliberação da estatal. A proposta do governo golpista de Michel Temer inclui a nomeação de executivos de multinacionais de petróleo e gás, como a Shell, para a instância. Um exemplo é a indicação de José Alberto de Paula Torres Lima, diretor por mais de 20 anos da multinacional holandesa Shell.

Segundo os petroleiros, a eleição do conselho com essa composição demonstra mais uma vez o projeto de privatização da empresa e de como o governo tem submetido os interesses públicos de empresas estratégicas como Petrobrás, Eletrobrás, Casa da Moeda, etc, a interesses das empresas privadas - escolhendo até mesmo funcionários de carreira dessas empresas para compor suas direções.

Com o mote "Privatizar o Brasil faz mal: por soberania e democracia", os movimentos também vão mobilizar pessoas do interior e de outros estados para defender a estatal e denunciar a política de venda do patrimônio brasileiro para empresas estrangeiras.

"Nos países em desenvolvimento é fundamental a presença de empresas públicas fortes para alavancar a economia do país, com geração de emprego e de renda. O papel desempenhado por empresas como a Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, a Eletrobrás, são fundamentais para desenvolver o povo brasileiro e também a nossa nação", explicou José Maria Rangel, coordenador-geral da FUP. "As empresas privadas só chegam nos países em desenvolvimento para extrair seus lucros e efetivamente não tem o compromisso com o desenvolvimento do nosso povo" completou.

Outra pauta que estará presente na manifestação dos petroleiros é a defesa do ex-presidente Lula. Os trabalhadores consideram que a prisão do petista faz parte do ataque das forças golpistas à democracia e à soberania do país.

"Durante o governo PT, o Lula utilizou a Petrobras como indutora do desenvolvimento nacional e a gente pode citar três linhas de atuação muito grandes e que mudaram a história do nosso país: a questão do investimento em infraestrutura necessária para uma indústria de petróleo, a geração de emprego através da Petrobras que criou milhões de postos de trabalhos diretos e indiretos em todo país e o terceiro ponto foi a utilização da riqueza brasileira para gerar avanços sociais para o próprio país. Prender o Lula e tirá-lo do pleito eleitoral é atacar a política de utilização do petróleo para favorecer os brasileiros", explicou Sérgio Borges, da CUT no Norte Fluminense. "O Lula é o principal defensor hoje de que a Petrobrás e o pré-sal devem ser utilizados para gerar desenvolvimento, riquezas e mudanças sociais dentro do país e não como os golpistas estão colocando para favorecer os interesses internacionais", concluiu.

Vida dos brasileiros piorou

Dentro do plano de desmonte de empresas públicas, como a Petrobrás, o governo golpista já mudou para pior a vida das famílias brasileiras. Somente em 2017 o aumento do botijão de gás aumentou em mais de 16% para o consumidor final e a gasolina teve, desde o mesmo período, um aumento de quase 20%, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP).

No Rio de Janeiro, as políticas do governo federal são responsáveis pelo desemprego e desmonte do setor da indústria do petróleo, em especial depois da alteração da Lei da Partilha, que desobrigou a participação da Petrobras com 30% de todos os leilões e de ser a única operadora do pré-sal.

Edição: Vívian Virissimo