Para o povo

No Recife, iniciativas comunitárias fortalecem a comunicação popular

A Comunicação Popular entrou para o calendário oficial do Recife

Brasil de Fato | Recife (PE)

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As oficinas acontecem geralmente nos bairros, como a comunidade Palha de AAroz, em Recife. / Terral Coletivo de Comunição Popular

As coisas que acontecem no seu bairro aparecem nos jornais e nos programas de TV? Se aparecem, são com exatidão? Consegue se sentir representada ou representado nesses veículos? Caso todas as respostas sejam não, você sabe bem que os meios de comunicação não estão à serviço da sociedade.

É deste cenário que nasce uma alternativa para que a população consiga mostrar seus temas e anseios. Denomina-se comunicação popular toda iniciativa de comunicação que é feita pelo povo e para o povo. Ela também é uma ferramenta para o processo de mobilização, de visibilidade e de conscientização política.

O jornal Brasil de Fato é um exemplo. Ele nasceu em 2003, no Fórum Mundial Social, onde estavam reunidos centenas de movimentos populares. Completados 15 anos, o sistema de comunicação popular Brasil de Fato tem presença em vários estados do Brasil, como Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Sergipe, Bahia, Paraíba, Paraná e Rio Grande do Norte.

Na maioria desses locais, são distribuídos gratuitamente os jornais impressos, além de notícias no site e programa de rádio. A editora-geral do Brasil de Fato Pernambuco, Monyse Ravenna, ressalta a importância dessa ferramenta para a formação política da população. “O Brasil de Fato cumpre uma função informativa, mas também pedagógica de educação popular, porque é um material manuseado pelas organizações populares com esse intuito. E é também um instrumento para o trabalho de base, sobretudo nas mobilizações das lutas políticas e sociais”, afirma.

No Recife, outras iniciativas têm construído novas narrativas e debates importantes para a sociedade. Como o Terral Coletivo de Comunicação Popular, que trabalha com foco no anúncio das ações dos movimentos sociais, das lutas do campo e da cidade. “Além de atuar diretamente nas mobilizações populares, também acreditamos que todas as pessoas são comunicadoras em potencial, independentemente de ter uma formação na área. Acreditamos na comunicação como ação transformadora e libertária e, por isso, também atuamos na formação de novos comunicadores”, explica Mariana Reis, integrante do Terral.

“O Caranguejo Uçá é um núcleo de comunicação comunitária que foi criado pela necessidade de desconstrução de um processo midiático formatador e manipulador”, ressalta Terezinha Filha, integrante do coletivo. Ela também conta que é através desse trabalho de comunicação que nasce o debate em torno da conservação ambiental do ecossistema Manguezal, motivo de existência desse movimento, por estar inserido na comunidade Ilha de Deus, no Recife, que é tradicionalmente pesqueira. “Nossa proposta é construir relações e diálogos com coletivos e pessoas para fortalecer e ampliar as perspectivas de ações de transformações, como mecanismo de impulsionar a cadeia de expressão, conhecimento e criatividade”, conta. O coletivo já publicou um livro da Ilha de Deus e tem rádio comunitária, atividades de organização de mulheres e ações ambientais.

A Câmara Municipal do Recife acaba de aprovar a redação final do projeto de lei que institui no calendário oficial do município o 3 de novembro como o Dia da Comunicação Popular. Proposta do vereador, jornalista e também militante pelo direito à comunicação, Ivan Moraes (PSOL).

Segundo o vereador, o dia municipal da Comunicação Popular é uma demanda do movimento e das pessoas que a fazem, principalmente, os que tocam as rádios comunitárias.

“Oficialmente, pelo menos uma vez por ano, nós teremos o chamado ‘gancho’ para trabalhar, por toda a cidade do Recife, ações que fortaleçam e que tragam a atenção da população para esse segmento”, afirma Ivan. O projeto de lei agora segue para a Prefeitura do Recife sancionar, no prazo de 60 dias. A escolha da data, marca a fundação de uma das rádios comunitárias de maior destaque no Recife, a Alto Falante, do Alto José do Pinho, na Zona Norte da cidade.



 

Edição: Catarina de Angola