Mobilização

Comitiva de executivos suíços é recebida com protestos em São Paulo

Os principais alvos da ação são Nestlé, Syngenta e Ruag; manifestantes denunciaram a privatização da água

Brasil de Fato | São Paulo

,

Ouça a matéria:

Ato realizado na frente do hotel onde estão hospedados os executivos / Katarine Flor

Uma comitiva formada por cerca de 60 executivos foi recebida com protestos na manhã deste domingo (29). Os alvos foram as multinacionais de origem suíça:  Nestlé, Syngenta e Ruag. Por meio de uma intervenção teatral, os militantes denunciaram a tentativa de privatizar a água, de comercializar venenos agrícolas já proibidos no país e de instalar uma fábrica de armas no estado de Pernambuco. O ato foi realizado na frente do hotel Tivoli, em São Paulo, local onde os empresários estão hospedados. 

Uma das manifestantes, que preferiu não se identificar, explica os motivos do protesto:  “é uma ação de denúncia e exposição da presença desses empresários no Brasil. Eles vieram sem divulgar a agenda e a pauta. É no mínimo suspeito que um grupo de empresários da Nestlé, da Syngenta, da Ruag e todas essas empresas venham se reunir aqui no Brasil, logo nesse contexto onde a gente acaba de passar por uma situação em que, claramente, o presidente Michel Temer estava negociando a água brasileira”. 

A ativista refere-se ao Fórum Econômico Mundial, realizado no início do ano, em Davos, na Suíça. Na ocasião, o tema da água recebeu destaque na agenda de Temer. Em um evento fechado e fora do programa oficial, ele se reuniu com o presidente do Conselho de Administração da Nestlé, Paul Bulcke. 

A militante destaca que a chegada de executivos da empresa aqui no Brasil pode sinalizar mais um avanço na tentativa de privatizar grandes mananciais, como o Aquífero Guarani, uma reserva que possui mais de 1,2 milhão de km² de água doce. 

Outra empresa que é alvo das críticas é a Syngenta, corporação biotecnológica e uma das maiores fabricantes de agrotóxicos e transgênicos do mundo. De acordo com os manifestantes, a presença dos executivos pode estar relacionada com o Paraquat, agrotóxico proibido pela Anvisa por conta de seu alto grau de toxicidade. Pouco tempo depois da proibição, a Anvisa estendeu o prazo para o banimento do veneno para três anos, devido a pressões de empresas do setor agrícola.

“Foi um grande avanço do povo brasileiro em defesa da nossa saúde, principalmente, dos agricultores, que são aqueles que trabalham diretamente com esse tipo de produto. Ela [Syngenta], se reunindo com tantas outras corporações, pode estar articulando formas de pressionar o governo, por meio de sanções econômicas, a violar esse avanço, essa conquista que foi a proibição do Paraquat”, alerta. 

As críticas também foram direcionadas à Ruag - multinacional suíça do setor armamentista. O Governo Federal vem negociando com a empresa a possibilidade de implantar uma fábrica de munições em Pernambuco. 

Participam da comitiva, empresários e cientistas ligados ao Centro de Alimentação Mundial (World Food Center), da Universidade Politécnica de Zurique, que é financiado pelas grandes corporações, como Nestlé, Syngenta, além de representantes da Swissnex, o Swiss, Business Hub e a SwissCam, Novartis e Schindler

Edição: Mauro Ramos