Luta de classes

Os times em campo na política brasileira

Elite foi vitoriosa na retirada de direitos, mas esquerda construiu unidade pela democracia

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Lula uniu as esquerdas brasileiras em torno da campanha por sua liberdade / Ricardo Stuckert

Se a luta de classes no Brasil hoje fosse comparada a uma partida de futebol, teríamos um empate, onde de um lado estaria o Real Madrid, mandante do jogo e atuando em seu estádio, e do outro lado o América de Teófilo Otoni. Nosso querido Mecão Maravilha é um time com limitações em algumas posições, porém uma raça enorme dentro de campo. Já o time merengue, com grande parte de seu elenco composto com craques de todo o mundo, ainda possui um banco de reservas invejável. O juiz que está apitando a partida foi indicado pelo time espanhol. Contudo, o placar permanece num fantástico empate.

Na luta política no Brasil, a máxima se tornou a luta ideológica. As elites conseguiram emplacar algumas vitórias como a retirada dos direitos dos mais pobres, a ação da mídia golpista, um congresso comprometido com a entrega da nação aos estrangeiros e um judiciário subserviente à manutenção do golpe de 2016. Porém, a favor da esquerda, temos a impopularidade gigantesca do governo Temer, uma crise econômica que não foi resolvida, a falta de um nome de direita para concorrer à presidência em 2018, e a existência do maior líder popular formado na nossa historia recente, Luís Inácio Lula da Silva.

Lula uniu as esquerdas

Lula uniu as esquerdas brasileiras em torno da campanha por sua liberdade, contra sua perseguição política e, consequentemente, na luta em defesa da democracia. A tática dos inimigos do povo agora é invisibilizar a prisão de Lula, e utilizar da narrativa do fato de Aécio Neves ter se tornado réu pelo STF, como prova da imparcialidade do Judiciário.

Os dados das ultimas pesquisas para a disputa presidencial indicam que Lula venceria no primeiro e no segundo turno, em qualquer cenário. Os saqueadores da democracia não conseguem mais esconder da população e da opinião publica internacional suas pretensões. Desta forma, há um empate nesta disputa, pois não há hegemonia de um projeto de país que tenha convencido a classe trabalhadora. Vencerá aquele projeto que colocar os trabalhadores em movimento. 

Isso nos deixa otimistas, tal qual uma partida de futebol - e por isto é tão empolgante - que por várias vezes, times menores já surpreenderam os grandes times, e ao final chegaram a conquistar vitórias. Na disputa política brasileira, parece que a torcida da classe trabalhadora pode decidir sair das arquibancadas e ocupar o campo, desempatando, assim, esta partida para o nosso lado.

 

Edição: Joana Tavares