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De dar água na boca, o que provamos na Feira da Reforma Agrária

Espaço promove uma verdadeira viagem gastronômica pelos sabores maravilhosos do Brasil

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Culinária da Terra é um espaço dedicado aos sabores regionais do Brasil / Fotos: Rafael Stedile

A rota da culinária da terra começa pelo Rio Grande do Sul, onde é possível provar do famoso arroz carreteiro. Logo, em Santa Catarina, fomos saborear um prato com nome raro: o ‘entreveiro’. “Entreveiro, no dito popular, é uma ‘misturança’, uma bagunça”, explica dona Irma Brunetto que ainda dá a receita. “A gente mistura três tipos de carne, de frango, de porco e de gado. Vai pimentão, cebola, alho, tomate. Então é uma mistura de muita coisa e no final bota o pinhão”.

Deixando para trás o Sul do país, chegamos em São Paulo, onde é servido a vaca atolada. No Rio de Janeiro, descobrimos que o bolinho de aipim é o mesmo que mandioca, ou macaxeira, só muda o nome. “Muito bom, bem recheadinho, uma delícia”, recomendou Ariadne, que havia acabado de provar uma das delícias. Em Minas Gerais o grande sucesso segue sendo o famoso feijão tropeiro. 

Já no Centro-oeste, comemos o frango caipira com gariroba e o arroz com pequi, sabores únicos que nos rendeu bastante curiosidade. “O frango caipira que a gente cria nos nossos acampamentos e assentamentos e a gariroba é um tipo de palmito do cerrado que é meio amargo. A gente faz grandes plantações para fazer junto com o frango que combina muito bem. Já o pequi é uma fruta do cerrado que dá em grandes quantidades no estado de Goiás. Você pode comer pura ou pode fazer com arroz ou com frango, que fica muito bom”, esclareceu a goiana Elaine Alves. 

No Nordeste, fomos direto a Alagoas, onde provamos o sururu, marca da culinária do estado. “O sururu vem da região de lagoas. Ele vem numa casquinha que você colhe do fundo da lagoa. A gente faz uma lavagem e depois dá pra preparar ao molho de coco, ou você pode fazer ao alho e óleo, ou pode comer o sururu de capote, que é ele dentro da casquinha também. E dizem que é afrodisíaco”, conta a alagoana Elenilza Santos. 

Faltava então o Norte, terra de sabores muito particulares. Lá, não conseguimos resistir ao pato no tucupi. “O pato no tucupi é uma tradição de Belém do Pará”, explica Vandaclara Miranda, a cozinheira do prato. “E esse pato tem mais sabor porque ele é orgânico, o jambu é orgânico, da produção dos assentamentos. E essas coisas são produzidas lá, sem agrotóxicos, que é o nosso diferencial”, ressalta.

Toda essa viagem gastronômica é feita em algumas poucas horas, a depender da fome. É que na Feira Nacional da Reforma Agrária, que acontece no Parque da Água Branca, em São Paulo, tem um espaço dedicado à culinária típica dos mais de 20 estados onde o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) está presente. É a Culinária da Terra que fica aberta das 8h às 20h, de quinta (3) a domingo (6). 

André Eduardo Ribeiro é professor na capital paulista, e além de provar a culinária da terra, levou os alunos para apresentar as delícias da reforma agrária. “Eu trouxe os meus alunos de geografia do Instituto Federal para a feira, na parte da manhã. Foi muito legal. Está bem organizado, está bem diversificado, então está dando pra aproveitar bastante”.

A Feira Nacional da Reforma Agrária chega a sua terceira edição com sucesso garantido. O evento, que já entrou no calendário cultural dos paulistanos, é uma realização do MST, e serve como espaço para promoção da alimentação saudável, resultado da luta pelo direito à terra travada há mais de três décadas por esse movimento.  O parque da Água Branca fica na avenida Francisco Matarazzo, 455, a cinco minutos de caminhada da estação Barra Funda do Metrô. 

Edição: Juca Guimarães