Programação infantil

Diversão, cultura e alimento saudável para a criançada na Feira da Reforma Agrária

Programação infantil do evento oferece contato com vivências do campo

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Crianças brincam de roda durante atividades da Ciranda Infantil / Matheus Alves / LPJ

A III Feira Nacional da Reforma Agrária, que acontece até domingo (6) no Parque da Água Branca, em São Paulo, não é apenas uma oportunidade para comprar alimentos orgânicos e agroecológicos ou provar as culinárias locais de todas as regiões do Brasil: a programação cultural contempla toda a família, com atenção especial para as crianças.

Nesta sexta-feira (4), às 16h, a Cia. Colhendo Contos de contadores de histórias faz uma sessão temática de histórias sobre a diáspora negra durante a atividade Contando África em Contos.

No sábado (5), quando os pequenos estão de folga da escola, a agenda é mais extensa: às 10h, uma sessão de teatro apresenta às crianças a história e o trabalho da escritora Carolina de Jesus, pioneira da literatura pela perspectiva da mulher negra no Brasil.

Às 14h, o titeriteiro pernambucano Danilo Cavalcante faz uma apresentação com bonecos mamulengos, tipo de fantoche típico da região Nordeste.

Às 16h, os Sem Terrinha, filhos dos produtores rurais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), preparam a Feirinha, atividade paralela à feira de produtos orgânicos e agroecológicos que tem como objetivo que crianças ofereçam alimentos saudáveis a outras crianças.

No domingo (6), às 10h, a banda Fera Neném, projeto infantil dos integrantes da Trupe Chá de Boldo, se apresenta no palco principal da Feira.

Vivências

Espaço essencial em todas as atividades que o MST realiza pelo país, assim como a cozinha comunitária e as frentes de limpeza e organização, a Ciranda é um espaço pedagógico dedicado a atividades para os filhos dos produtores rurais do movimento.

No caso da feira da reforma agrária em São Paulo, os cerca de 50 Sem Terrinha acolhidos pela Ciranda Infantil Paulo Freire aproveitam a oportunidade para ter contato, em alguns casos pela primeira vez, com uma cidade do porte da capital paulista.

É uma oportunidade, também, para que as crianças do campo e da cidade compartilhem vivências e encontrem pontos em comum.

“Uma das coisas mais interessantes é a Feirinha, que começamos a fazer na última edição da Feira Nacional. Lembro, por exemplo, que crianças daqui, não conheciam a cana de açúcar, nunca tinham chupado o pé de cana, e aí iam contar aos pais sobre essa experiência. Isso também com as frutas e outros alimentos, foi um diálogo muito bom com as famílias que visitavam a feira”, explica Fábio Accardo de Freitas, coordenador pedagógico da Ciranda.

Pertencimento

Os encontros ocorrem inclusive entre os próprios Sem Terrinha, oriundos de diversos assentamentos pelo Brasil. Ao conhecer outras crianças que estão se desenvolvendo no coração da luta pela agroecologia, elas se sentem inclusas em algo muito mais amplo do que a vida em suas comunidades.

“Nestes espaços nacionais, onde as crianças se encontram e se reconhecem como Sem Terrinha, você fortalece essa identidade e o pertencimento. O preconceito que existe contra o movimento chega também às crianças, elas ouvem na escola, por exemplo, que são ‘pé sujo’. Mas quando elas se reconhecem na realidade das outras crianças, elas saem fortalecidas”, conta Fábio.

Embora o espaço Ciranda seja destinado exclusivamente aos filhos dos produtores rurais do MST, os pais podem visitar o espaço para apresentar aos filhos novos amigos do campo. Os Sem Terrinha também se juntam às crianças que visitam a feira para assistir à programação cultural infantil.

Edição: Diego Sartorato