1º DE MAIO

Trabalhadores pedem mais direitos e liberdade para Lula

Na manifestação, o Brasil de Fato conversou com a população

Recife (PE)

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Cerca de 3 mil pessoas saíram da Praça do Derby em direção à Av. Conde da Boa Vista, no centro da cidade. / Vinícius Sobreira

Na última terça-feira, dia 1º de maio, o tradicional ato do Dia dos Trabalhadores e Trabalhadoras reuniu cerca de 3 mil pessoas no centro do Recife.

As palavras de ordem pediram a saída de Temer da Presidência da República e a anulação das reformas que retiraram direitos trabalhistas; além disso, lembraram a memória de Marielle Franco e pediram a liberdade do presidente Lula, assim como seu direito de se candidatar.

Os manifestantes se concentraram na Praça do Derby das 9h da manhã ao meio-dia, quando saíram em caminhada pela avenida Conde da Boa Vista e encerraram o ato por volta das 13h.

Como de costume, trabalhadores de diversas categorias aproveitaram o seu dia para erguer a voz e clamar por mais direitos. As amigas Geilma Costa e Ana Correia, ambas empregadas domésticas, afirmaram que não perdem um protesto e, nesse dia 1º, o que mais pediram foi Lula Livre.

“Todo ato estamos aqui, em luta, defendendo nossos direitos. E o período de Lula e Dilma fez muita diferença para as empregadas domésticas. Eles pensavam nos pobres, enquanto esse de agora só pensa nele”, afirma Geilma.

Por isso, Ana Correia avalia que defender Lula é também lutar pelas domésticas. “Direitos não se reduzem. Eles têm que ser ampliados. E nós, trabalhadoras domésticas, somos muito discriminadas, mas somos uma profissão como qualquer outra. Damos nosso suor e queremos nossos direitos”, diz Correia.

Sindicato de luta

Orgulhosa, Geilma conta que é filiada há oito anos ao Sindicato das Empregadas Domésticas (Sindomésticas). “O sindicato é por onde fazemos as nossas lutas. E fazer a luta depende de nós. Por isso, mesmo com dinheiro apertado, colaboramos com o sindicato para fazermos a luta juntas”, diz, empunhando a bandeira lilás do sindicato.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e Pesada (Marreta), Reginaldo Ribeiro, disse que o Dia do Trabalhador é também o dia de lutar por mais empregos. “Esse governo diz que está abrindo vagas, que o emprego está melhorando, mas na realidade não vemos nada disso. O que temos visto é o desemprego aumentar, os trabalhadores cada vez mais desprotegidos e sindicatos sendo perseguidos”, aponta Reginaldo.

Ele avalia que o governo ilegítimo tem sido “péssimo para os trabalhadores da construção”. “É exatamente o contrário do 'boom' da construção civil que vivemos nos governos Lula e Dilma. Por isso sentimos falta. Esse governo atual só massacra o trabalhador e retira nossos empregos. Por isso não vamos deixar que um 'juizinho' tire o direito do povo ter candidato a presidente”, garante Ribeiro.

A trabalhadora ambulante Adriana Luiza, que estava vendendo bebidas durante o ato, diz não conhecer a reforma trabalhista e outras pautas do governo Temer, mas lembra que a previdência social está em xeque. “Ouvi falar que ele quer acabar com a aposentadoria. Ele quer 'lascar' o pobre mais ainda”, lamenta, sem esconder a indignação. 

Soberania

Sinésio Pontes, que atua na indústria do petróleo em Pernambuco, ligado ao Sindipetro, diz que a operação Lava-Jato, da Polícia Federal, “é uma ferramenta do plano neoliberal, com o intuito de acabar com a Petrobras”.

“Não foi por acaso que, há alguns anos, a presidente Dilma estava sendo monitorada, espionada pela agência de inteligência norte-americana. Não à toa os computadores e e-mails dos diretores da Petrobras estavam sendo monitorados”, recorda, em referência ao escândalo que revelou que a agência NSA, do governo norte-americano, espionava diretores da Petrobras, além de Dilma Rousseff e outros presidentes. “A questão nunca foi o triplex, mas o petróleo. Eles querem entregar nosso petróleo às companhias norte-americanas. Por isso usam a Lava-Jato para atacar a reputação da Petrobras”, diz Pontes. 

A presidenta do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Suzineide Rodrigues, reclama que sua categoria tem vivido uma grande redução de postos de trabalho desde que o golpe derrubou a presidenta Dilma. “Já são 14 mil bancários demitidos em todo o Brasil e esses postos de trabalho não foram restituídos, sobrecarregando os trabalhadores que ficam”, informa.

Rodrigues também se queixa do desmonte e da gradual privatização da Caixa Econômica Federal, das ameaças de privatização do Banco do Brasil e da paralisação dos investimentos por parte do Banco do Nordeste (BNB) na região.

Edição: Catarina de Angola