Artes

Luta no campo e cultura caminham juntos na Feira da Reforma Agrária

Conheça as atividades culturais que espalharam por todos os cantos do parque da Água Branca

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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O público se encantou com o teatro de fantoches na 3ª Feira Nacional da Reforma Agrária em São Paulo / Pablo Vergara/MST

A integração entre a luta no campo e a arte está presente no dia a dia do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Durante a III Feira Nacional da Reforma Agrária, que termina neste domingo (6), diversas intervenções culturais aconteceram por todo o Parque da Água Branca, em São Paulo (SP).

“A programação contempla a diversidade cultural, em vários tipos de produção, e fortalece a relação com grupos de artistas e produtores culturais que já têm um processo de contribuição com o MST”, explicou Douglas Estevam, do coletivo nacional de cultura do movimento.

Segundo ele, a recepção e a interação do público com as chamadas Atividades de Chão da feira têm sido muito positivas. “No ambiente da feira, o potencial crítico e reflexivo dos espetáculos é ampliado”, disse.

A relação do MST com as artes se dá na construção de um projeto político e cultural. Os artistas parceiros dos movimentos, de maneira constante, se apresentam nos assentamentos, nas escolas de formações e em espaços como o Armazém do Campo.

Programação

Essas intervenções culturais têm o objetivo de trazer um tipo especifico de produção alinhado aos princípios do MST. “Tivemos uma série de peças infantis, duas delas com foco na temática racial. Uma abordou a vida da escritora Carolina Maria de Jesus e a outra contos da tradição oral sobre a diáspora negra”, comentou Douglas.

No domingo, dia 6, às 18h, a Cia Estável apresenta o espetáculo Patética, que fala sobre o assassinato do jornalista Vladimir Herzog e o período da ditadura militar. “A peça dialoga com a conjuntura atual do golpe e a questão da mídia, que promove o silenciamento da expressão cultural do campo popular”, avaliou Douglas. A apresentação da Cia Estável será perto da área de leitura do parque.

Também no domingo se apresentam dois grupos de Folias de Reis formados dentro do MST no estado de São Paulo. Um é do assentamento de Sarapuí e o outro de Promissão. “São folias que existem há mais de 10 anos que se apresentam nos acampamentos. Tivemos também a apresentação do nosso grupo de poesias chamado Palavras Rebeldes”, contou Douglas.

Massacre de Carajás

Um bom exemplo da produção cultural do MST é a peça que será apresentada domingo (6), A farsa da Justiça burguesa, da Cia. Estudo de Cena. Com apresentação marcada para às 11h, o ato apresenta a história do massacre de Eldorados dos Carajás, no Pará, que aconteceu em 1996, quando 19 trabalhadores rurais foram brutalmente assassinados pela Polícia Militar. Até hoje o crime está impune.

E na manhã deste sábado, dia 5, aconteceu a apresentação da Cantata, um coral de mais de cem pessoas, que se formou em outubro do ano passado, com canções de cunho político. O grupo percorreu todas as áreas de comercialização da feira, o que animou muito os feirantes que não tiveram tempo de acompanhar as atividades culturais nos palcos fixos.

Na sexta-feira, um dos destaques foi a apresentação do grupo feminino Madeirite Rosa, com um espetáculo sobre a questão de gênero. “É um grupo que dialoga muito com os movimentos sociais. Até no próprio nome que é uma referência à luta por moradia digna”, disse o coordenador do MST.

Edição: Nina Fideles