RESISTÊNCIA

Editorial | Reconstruir das cinzas o país que se deseja

A força da história da luta do povo brasileiro será necessária para enfrentar esse desafio.

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Em Recife (PE), o primeiro de Maio foi um dia de diversas lutas / Vinícius Sobreira

O mês de maio se inicia com aquele dia que podemos chamar de nosso. Desde seu surgimento, ainda no século XIX, ousamos convocar um dia de festa onde todas as trabalhadoras e trabalhadores sairiam às ruas para manifestar e celebrar a unidade e solidariedade necessárias para a conquista de suas bandeiras de luta. 

Em contexto de uma inacabável lista de perdas, de intensificação da exploração da força de trabalho, de uma super-precarização oficializada, de suspensão decretada de investimentos em políticas sociais como saúde e educação por vinte anos, de aumento de desemprego e pobreza ao passo da crescente ampliação da concentração de renda, todo o país saiu às ruas contra o governo golpista e seu pacote de reformas, com a reafirmação de que Marielle Vive, e pela exigência de Lula Livre. 

Porém, como se já não bastassem os exemplos de perversidade em curso, este dia também será marcado por mais uma tragédia no nosso país: um incêndio, no Largo do Paissandu, no centro de São Paulo, em um prédio de 24 andares, ocupado por aproximadamente 150 pessoas desde 2003, habitado por famílias negligenciadas e desassistidas, na contradição de viverem no estado mais rico do país. Este fato nos toca justamente por não ser um fato isolado, mas pelo retrato de uma realidade que só se aprofunda em todas as regiões do Brasil. Esse prédio em chamas representa o projeto golpista para o povo brasileiro: morte, miséria, violência e abandono. 

A força da história da luta do povo brasileiro será necessária para enfrentar o desafio de reconstrução a partir das cinzas ao qual esse momento nos empurra. Como alternativas, tem-se de um lado a denúncia de assassinato e prisão política de lutadores do povo como bandeiras que representam a resistência e a esperança contra esse pacote de golpes instaurado pelo governo ilegítimo. De outro, a construção urgente de um espaço de organização e escuta do povo, e daí já se apresenta o Congresso do Povo ardendo por todo nosso estado. O fogo da transformação deve ficar marcado e exigir nossa postura de resistência para a construção do desenvolvimento do país que se deseja. 

Edição: Catarina de Angola