MINAS GERAIS

Sindicato denuncia desmonte de equipes e aumento abusivo para direção da Cemig

Assembleia de acionistas aumenta remuneração dos diretores e conselheiros, muito além dos reajustes dos salários de trab

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Ato em Montes Claros pelo resgate do caráter público da estatal mineira
Ato em Montes Claros pelo resgate do caráter público da estatal mineira | Crédito: Sindieletro/MG

Entre 2015 e 2018, a Assembleia Geral de Acionistas da Cemig decidiu aumentar a remuneração da diretoria e dos conselheiros da Companhia muito além da inflação e dos reajustes dos salários dos trabalhadores.

Enquanto a inflação oficial acumulada durante o governo de Fernando Pimentel medida pelo INPC/IBGE (janeiro de 2015 a março de 2018) foi de 21,63%, os vencimentos do presidente da estatal subiram 108,21%, dos diretores 91,54% e dos conselheiros de administração 189,93%. Atualmente, o salário do presidente da estatal é R$ 85 mil, dos diretores, R$ 67 mil, e dos conselheiros de administração, R$ 20.590.

Terceirização

O coordenador geral do Sindicato dos Eletricitários (Sindiletro/MG), Jefferson Silva, critica a gestão da maior estatal de Minas e repudia a submissão da empresa à lógica do mercado. O dirigente destaca que o país tem visto os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário aumentando os próprios salários e os privilégios da burguesia nacional e do mercado financeiro especulativo, em detrimento dos direitos da classe trabalhadora.   “No universo da Cemig não é diferente”, avalia.

O Sindieletro considera os privilégios para executivos e conselheiros uma contradição diante da realidade dos trabalhadores e consumidores, que sofrem com os efeitos dos sucessivos programas de desligamento voluntário, cortes de orçamentos para a área operacional, aumentos acima da inflação da conta de luz, desativação de postos de atendimento em localidades da empresa no estado e redução drástica de equipes de trabalhadores na área operacional.

Segundo levantamento do Dieese, em 1994 a Cemig tinha 17.516 trabalhadores no quadro próprio, mas fechou 2017 com apenas 5.864 eletricitários. Estima-se que a empresa tenha hoje mais de 20 mil terceirizados.

Apesar do compromisso de contratar 1.500 eletricitários, o governo de Fernando Pimentel ignorou a promessa e ainda manteve a política de desligamentos voluntários. O Sindieletro alerta que os dois pequenos concursos recentemente abertos pela Cemig não suprem nem 20% das vagas prometidas e nem repõem as demissões e desligamentos voluntários.  

Resgate moral

A Cemig foi procurada pela reportagem para explicar a motivação da disparidade entre reajustes de diretores e investimento em pessoal, mas respondeu apenas que a remuneração dos administradores da Companhia é tratada pela assembleia de acionistas e que a empresa não tem acesso a essas informações.

Jefferson Silva destaca que, além de cortar quadro próprio importante, a política de pessoal da Cemig arrocha a remuneração global dos trabalhadores e tenta retirar direitos. “Neste contexto, o Sindicato mobiliza a categoria e a sociedade pelo resgate da moralidade e do caráter público da Cemig”, convida.

Editado por: Joana Tavares

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