Habitação

Editorial | O direito à vida é mais importante que o direito à propriedade

Algumas análises sobre p desabamento do edifício ocupado no Largo do Paissandu fizeram uma inversão completa de valores

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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O déficit de moradia no país alcança seis milhões de pessoas, enquanto, só em São Paulo, 358 mil novas moradias são necessárias / Rovena Rosa / Agência Brasil

No episódio do desabamento do edifício ocupado no Largo do Paissandu, no centro de São Paulo, no dia 1º de maio, infelizmente alguns analistas da mídia comercial – aquela que pertence a famílias tradicionais e grupos de poder – fizeram uma inversão completa de valores.

Isso porque, no lugar de discutir a sério o problema da falta de moradia no país, o desemprego que alcança 13 milhões de brasileiros, esses analistas trataram logo de buscar nas vítimas os culpados. Ou seja, não pensaram de imediato nas 150 famílias afetadas, apenas sugeriram que movimentos populares “cobram” para viver em ocupações, entre outras alegações falsas.

Houve, claro, quem tivesse o mínimo bom senso e chamasse a atenção para o fato de que o déficit de moradia no país alcança seis milhões de pessoas, enquanto, só em São Paulo, 358 mil novas moradias são necessárias. Nas principais cidades do Paraná, o quadro não é diferente: muitas pessoas sem casa, muitas casas vazias e sem pessoas.

Em Curitiba, por exemplo, a zona central da cidade apresenta mais de 200 imóveis que deveriam ser usados para garantir moradia digna. Por isso, é preciso criticar a visão das coisas que coloca o lucro acima do ser humano e dos seus direitos.

Mas, para a atual gestão, nem mesmo o direito à livre manifestação e o direito de ir e vir tem sido permitido.

 

Edição: Pedro Carrano