NEGOCIAÇÃO

Governo da Colômbia e ELN retomam diálogo de paz em Cuba

Após retirada do Equador como garantidor do processo de paz, o governo cubano ofereceu o país como sede para o diálogo

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Intervenção de Pablo Beltrán, do ELN, durante coletiva de imprensa realizada hoje em Havana sobre a retomada dos diálogos de Paz / Twitter @ELN_Paz

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, do Partido Social da Unidade Nacional (Partido de la U) anunciou, durante uma visita oficial à Alemanha na última quarta-feira (9), que o diálogo com o Exército de Liberação Nacional (ELN) seria retomado nesta quinta-feira (10) em Havana, capital de Cuba.

“Amanhã retomaremos as negociações com o ELN para um cessar-fogo e acredito que vamos conseguir. Não serei o presidente a firmar este acordo, mas entregarei ao próximo presidente algo que está em um bom caminho”, disse o presidente.

A afirmação de Santos reitera que ambas as partes têm a intenção de acordar um cessar-fogo bilateral antes do primeiro turno da eleição presidencial na Colômbia, que acontecerá no dia 27 de maio.

No dia 18 de abril, o governo do Equador havia anunciado a suspensão de sua participação como garante nos diálogos entre o governo da Colômbia e o ELN, que até então aconteciam na capital do país, Quito, após os recentes casos de violência na fronteira entre o Equador e a Colômbia.

A decisão anunciada pelo presidente equatoriano Lenin Moreno, do Aliança País, poderia afetar o início do quinto ciclo de diálogo entre os representantes da Colômbia e a guerrilha, suspenso há dois meses.

No entanto, após a retirada do Equador como garantidor, o governo de Cuba ofereceu o país como sede para a retomada dos diálogos.

A delegação do ELN chegou à Cuba nesta segunda (7) e aguardava a chegada da delegação do governo colombiano para reiniciar as negociações.

Suspensão do Equador como garante

Desde março de 2018, as regiões equatorianos de Mataje e Esmeraldas, na fronteira norte do Equador com a Colômbia, são palcos de ataques por grupos armados que causaram a morte de várias pessoas, entre eles, integrantes das Forças Armadas.

Segundo as autoridades do Equador, estes grupos seriam os responsáveis pelo assassinato de três jornalistas do jornal El Comercio, sequestrados no dia 26 de março e assassinados posteriormente.

“Pedi ao chanceler do Equador que suspendesse as conversas e a condição de garante do processo de paz enquanto não cessarem essas atividades terroristas”, afirmou Lenin Moreno no dia 18 de abril.

ELN e o compromisso com o diálogo

Desde o início das negociações, o Exército de Libertação Nacional tem reafirmado sua disposição de dialogar e iniciar um cessar-fogo sob a premissa de restabelecer a paz na Colômbia, assim como tem denunciado as constantes violações do governo de Juan Manuel Santos em Acordo de Paz com a ex-guerrilha FARC, atualmente organizada como partido Força Alternativa Revolucionária do Comum.

“A saída política para o conflito não pode ser encerrada devido às dificuldades apresentadas, pelo contrário, devemos seguir buscando soluções com maior afinco e convocamos todos os apoiadores da paz a se envolverem neste esforço de futuro”, manifestou o comandante do ELN, Nicolás Rodríguez Bautista.

O grupo insurgente aceitou que integrantes da sociedade civil e representantes de 190 organizações sociais passem a integrar o processo de diálogo para dar fim ao conflito armado, que é o mais antigo da região. Os dirigentes do ELN exigiram também um maior compromisso do governo de Santos para prosseguir no diálogo e cumprir os objetivos propostos.

O ELN também repudiou publicamente os recentes ataques violentos cometidos no Equador ao expressar sua solidariedade com o governo de Lenin Moreno e a população do país que, segundo fontes policiais de ambos os países, foram realizados por grupos armados que atuam na fronteira entre os dois países.

Atuação do governo da Colômbia no diálogo

Por sua parte, o presidente Juan Manuel Santos ressaltou a necessidade de estabelecer um acordo definitivo para combater os grupos armados violentos que continuam atuando em diversas regiões do país para, finalmente, chegar a um acordo de paz no país.

Entretanto, o governo colombiano suspendeu o processo de diálogo em duas ocasiões; a primeira, em outubro de 2016, e a segunda, mais recente, no meio de março, após retirar sua delegação de negociação do Equador, ainda que diversos setores da Colômbia exigissem a continuação do governo no processo.

Histórico

As negociações entre o governo colombiano e o ELN tiveram início em fevereiro de 2017, em Quito, onde foi estabelecido um cessar-fogo histórico de 101 dias, em meio a críticas de descumprimentos por ambas as partes. Este acordo bilateral terminou em janeiro de 2018 após o governo colombiano denunciar uma ofensiva do ELN. Com isso, o começo do quinto ciclo de negociações foi adiado.

*Com informações do Nodal e da Telesur

Edição: Pedro Ribeiro Nogueira | Tradução: Luiza Mançano