Religião

A pouca fé de um padre pop estar – destruir a fé do outro para a dele alimentar

Padre Fábio de Melo deixa transparecer racismo religioso contra tradição de matriz africana

Brasil de Fato

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Padre "ainda está preso na ideia da galinha preta, da farofa e da cachaça como únicos instrumentos de nossa prática religiosa" / Tânia Rego / Agência Brasil

Assisti ao vídeo do Padre Fábio de Melo onde ele deixa transparecer seu racismo religioso contra a nossa tradição de matriz africana. Eu, particularmente, quero acreditar que ele seja melhor como Padre Pop Star cantando suas músicas, do que como pregador. Pois seria um pregador muito medíocre, que utiliza de suas fragilidades religiosas para atacar a religião dos outros, que desconhece a história, que não sabe nem mesmo o significado do que critica. 



Eu, sinceramente, espero uma posição da Arquidiocese a qual pertence o sacerdote, em relação a pregação do mesmo, do contrário, ficarei aqui imaginando que todos aqueles sacerdotes que rodeavam o Padre Pop Star em sua pregação, pensam como ele ou então se acovardam diante dos gritos de ignorância e desconhecimento histórico que o mesmo desfilou.



Há nas falas de pessoas como o Padre Fábio, não apenas ignorância, mas um ódio ao que lhe é diferente e um líder que se preza não utiliza de falta de conhecimento para massacrar, humilhar e incitar o ódio, pelo contrário, ele vai atrás do aprendizado, busca o conhecimento, aposta na sabedoria e tem uma prática de humildade diante do que não conhece. Nada disso, encontramos nesse senhor. Ao contrário, quer ter como pilar de sustentação de sua fé o desprezo e o desrespeito a fé alheia, a nossa fé, sem nem mesmo saber o que significam as nossas práticas religiosas. É tão abjeto em suas formulações que ainda está preso no racismo religioso arcaico e não buscou nas oportunidades da educação que teve pelo menos aprender os significados de alguns conceitos, como, por exemplo, o que é macumba. 



Ainda está preso na ideia da galinha preta, da farofa e da cachaça como os únicos instrumentos de nossa prática religiosa. Não sabe nem mesmo, que a nossa farofa, aquela que Exú gosta, não leva banana e sim pimenta, que devíamos colocar em sua língua, para lhe queimar um pouco do preconceito.



Não sabe esse senhor que nossa religião, para além do que ele pensa, é tão sagrada quanto a dele e que nós não precisamos, para nos afirmar enquanto pessoas felizes e completas em nossa fé, utilizar do fato de termos sido historicamente discriminados pelos cristãos. Nós somos felizes e completos por que somos. Não precisamos catequisar pelo ódio e muito menos pela pressão psicológica da garantia de uma vaga no “Paraíso”. Nosso Nzambi, Olorun, Mawu é um Deus de amor, não precisa de gritos de ódio, para nos despertar para sua essência. Nós somos parte dele, que é só amor.  



Portanto, rogo a esse senhor Padre Fábio de Melo, que retorne aos bancos escolares, onde deve se dedicar-se a aprender o respeito, a generosidade, a solidariedade e os conhecimentos básicos de história e que nas horas vagas, se quiser, se dedique a ser um Pop Star, onde espero seja mais competente do que em um altar como pregador. Isso pode evitar que a história de ódio, de opressão, de desrespeito se repita sob as bênçãos de Deus. Sim, pois é inegável que sua liderança é grande e seus seguidores milhares. E esses podem aprender com ele, como não ser cristão, já que ele fala em nome da Igreja.  E peço aos mais sensatos da Igreja Católica que venham a público se posicionar diante desse absurdo de pregação. Não podemos permitir a reedição da história onde se mata e se oprime em nome de Deus.

 

Quanto aos nossos frangos, que já disse não são, só pretos que nós continuemos a sacralizá-los para alimentar nossa fé e que eles continuem também quando permitido a serem fonte de alimentação de nosso corpo, pois cozidos e bem temperados alimentam toda nossa gente.  Que nossas farofas continuem bem apimentadas e sem bananas e nossas cachaças saboreadas por quem de direito deve tomá-las. 

Quanto ao Padre, não precisa se preocupar, pois, não acredito que mereça de nós nenhuma despesa para lhe fazer um ebó, pois sua língua é seu próprio castigo e sua fé, uma fé tão medíocre, pois depende para se fortalecer de desmerecer a fé alheia, o que não nos incomoda.

Quanto aos cristãos e não cristãos de bem, rogamos a nossa ancestralidade que os proteja e os fortaleça nesta luta de mostrar que nem todo trigo é joio.

 

Edição: Tayguara Ribeiro