Opinião

Artigo | Por uma nova “Abolição da Escravatura”

Falta de democracia e direitos atinge mais aos negros

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Trabalhadores negros e negras recebem recebe apenas metade salarial de um trabalhador branco / Jorge Campos

No Brasil, a mistura étnica aconteceu vitoriosamente. Somos um povo, ao mesmo tempo, generoso e cheio de contradições. Vivemos cercados de abundância, mas com grandes bolsões de miséria. Somos a “terra da integração”, porém com enormes abismos que separam negros e brancos, de forma visível e invisível.

Agora que chegamos ao pós 130 anos de Abolição da Escravatura (1888) essa integração que lhe é peculiar coloca o Brasil no centro do debate, cujo impasse étnico transformou-se no indicador que pode levar o país ao futuro como nação civilizada, ou fincar, de vez, nossa pátria nos erros do passado.

Também é necessário, nesta breve reconstrução histórica, apontar dados assustadores sobre o significado do fim da escravidão forçada no Brasil. Com o golpe de Estado feito pelas elites nacionais, em 2016, o país entrou numa crise de proporções gigantescas. Há registros de pelo menos 150 mil trabalhadores e trabalhadoras em regime de semiescravidão.

Por exemplo, os negros são maioria da população, com quase 52%, e são menos de 10% de negros no Congresso Nacional. Boa parte dos trabalhadores negros e negras recebe apenas metade salarial de um trabalhador branco, mesmo exercendo atividades profissionais com igual formação e exigência técnica, seja em Salvador, Fortaleza, etc.

Obviamente, sem democracia e sem direitos sociais, ambos perdidos na era Temer, nossa trajetória abolicionista rumo ao pleno exercício da solidariedade e da paz foram interrompidos. Precisamos falar da necessidade da implementação de uma nova abolição da escravatura, pois a anterior, de 1888, findou-se no tempo e no espaço, sem colher olivas nos campos.

Edição: Joana Tavares