VENEZUELA DECIDE

Mais de 200 observadores internacionais acompanham eleição

O ex-presidente espanhol Rodríguez Zapatero, um dos observadores, disse que o direito ao voto deve ser respeitado

No audio source provided.
Mais de 200 observadores, de 60 países, vão acompanhar as eleições deste domingo (20)
Mais de 200 observadores, de 60 países, vão acompanhar as eleições deste domingo (20) | Crédito: Fotos: Fania Rodrigues

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela convidou mais de 200 observadores internacionais para acompanhar as eleições venezuelanas que ocorrem neste domingo (20). Entre os convidados estão figuras conhecidas como o ex-presidente da Espanha José Luis Rodríguez Zapatero. Ele faz parte de uma delegação de autoridades europeias integrada também pelo ex-ministro de Relações Exteriores do Chipre, Marcos Cipriani, e o ex-presidente do Senado da França, Jean-Pierre Bel, que foi representante da Presidência da França para a América Latina durante o governo de François Hollande.

Zapatero defendeu o direito dos venezuelanos de votar. “Há setores da oposição que não vão votar, os respeito profundamente. Mas agora vai falar o povo da Venezuela. É bom que os cidadãos se expressem [nas urnas]. Isso trará, sem dúvida, novas possibilidades para esse país”, afirmou o ex-presidente, em entrevista coletiva logo depois de um reunião com o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, na sexta-feira (18).

O político, que foi um dos mediadores do diálogo de paz entre o governo da Venezuela e os partidos de oposição, entre dezembro de 2017 e março deste ano, falou sobre uma possível retomada dos diálogos. “Falamos com o presidente sobre a possibilidade de abrir uma nova etapa do diálogo depois das eleições de domingo. Não detalhamos o lugar nem quem vai participar. Em minha opinião, a participação deve ser aberta”, disse Zapatero.

Além disso, o ex-mandatário espanhol também falou sobre “a necessidade de um diálogo mais fluído” entre o governo venezuelano e a União Europeia. “Depois do dia 21 de maio, esperamos que comece uma etapa de aproximação, na qual prevaleça o diálogo em vez das sanções”, afirmou o ex presidente espanhol.

Ele disse ainda que não há explicação para a posição radical da União Europeia em relação à Venezuela. “Uma pergunta que já fiz várias vezes é: por que a Europa dialoga com o Irã, por que é partidária do diálogo, e se comparta assim com a Venezuela?”, questionou Rodríguez Zapatero.

Sistema eleitoral venezuelano

O Brasil de Fato conversou com alguns observadores internacionais que estão em Caracas, capital venezuelana, para acompanhar o processo eleitoral deste domingo. Eles falaram quais foram suas impressões sobre o sistema eleitoral do país. 

O juiz de direito brasileiro Dalmir Franklin de Oliveira é um dos 200 convidados do CNE venezuelano. Ele foi juiz eleitoral no município brasileiro de Passo Fundo (RS) e faz uma comparação com o sistema brasileiro: "O sistema venezuelano nos pareceu bastante confiável. Inclusive, o sistema venezuelano é até mais detalhado que o nosso [brasileiro] em termos de certificação e das próprias auditorias que eles relatam. Parece ser um sistema muito confiável".

A deputada espanhola Alesandra Fernandez, da comunidade autônoma espanhola da Galícia, também está acompanhando as eleições e disse que a realidade que ela se deparou esta semana na Venezuela é bem diferente daquela transmitida pelos meios de comunicação do seu país.

"Existe uma diferença muito grande entre aquilo que se transmite através dos meios de comunicação e a realidade que observamos aqui, principalmente ao visitar os colégios eleitorais. O processo tem garantias que vão desde a utilização das impressões digitais [dos eleitores], até a validação dos resultados. Vemos muitas garantias, inclusive algumas que não vemos nem sequer no Estado espanhol", avaliou a deputada.

O jornalista italiano Luca disse que o sistema eletrônico da Venezuela é sofisticado e serve de exemplo a outros países. "Esse é um processo eleitoral muito importante para a Venezuela e para a América Latina. O povo aqui manda uma mensagem ao mundo e também ao meu país. Na Itália, ainda votamos com cédula de papel, não temos sistema eletrônico. O sistema venezuelano é muito interessante, porque não há fraude, não há possibilidade de mudar, manipular o nome dos candidatos. É um sistema que pode ser exportado para o mundo inteiro", opinou.

Editado por: Vivian Neves Fernandes

|

Newsletter